Qual gênero sofre mais violência doméstica?

An elderly woman stands against a wall, eyes closed, holding a cardboard sign that reads 'HELP'.
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A pergunta sobre qual gênero sofre mais violência doméstica possui uma resposta bem estabelecida nos dados estatísticos e na jurisprudência brasileira: as mulheres são as principais vítimas, representando a maioria absoluta dos casos registrados. Segundo levantamentos do Ministério da Justiça e órgãos de segurança pública, aproximadamente 88% das denúncias de violência doméstica envolvem mulheres como vítimas, enquanto homens representam uma parcela significativamente menor. Essa realidade foi determinante para a criação da Lei Maria da Penha em 2006, legislação que reconheceu a violência de gênero como um problema estrutural que demanda proteção específica.

Contudo, é importante ressaltar que homens também podem ser vítimas de violência doméstica, ainda que em proporções menores e frequentemente subnotificadas. A dificuldade em denunciar, questões culturais e a falta de políticas públicas direcionadas contribuem para que muitos casos não sejam registrados. Independentemente do gênero da vítima, a violência doméstica é crime e exige acompanhamento jurídico especializado para garantir proteção adequada e responsabilização do agressor.

Se você enfrenta ou conhece alguém em situação de violência doméstica, compreender os direitos legais e as proteções disponíveis é essencial para romper esse ciclo.

Qual gênero sofre mais violência doméstica? O que os dados mostram

A resposta curta é objetiva: mulheres são, de forma expressiva e consistente, as principais vítimas de violência doméstica no Brasil e no mundo. Essa conclusão não decorre de opinião ou ideologia — ela emerge de décadas de pesquisas epidemiológicas, registros policiais, inquéritos nacionais e relatórios de organismos internacionais como a OMS e a ONU Mulheres. Os números, quando analisados em conjunto, apontam para uma desproporção que não pode ser atribuída apenas à subnotificação masculina ou a vieses metodológicos.

Isso não significa que homens jamais sofram violência doméstica — eles sofrem, e esse dado também será abordado neste artigo com a seriedade que merece. O objetivo aqui é apresentar os dados de forma honesta, contextualizada e juridicamente relevante, sem minimizar nenhuma vítima e sem distorcer as proporções reais do fenômeno.

Mulheres são as principais vítimas de violência doméstica no Brasil e no mundo

Dados globais: OMS aponta que 1 em cada 3 mulheres sofre violência ao longo da vida

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 736 milhões de mulheres — o equivalente a 1 em cada 3 no mundo — já sofreram violência física ou sexual praticada por parceiro íntimo ou violência sexual por terceiros ao longo da vida. Esse número permanece relativamente estável nas últimas décadas, o que indica que a violência contra a mulher é um problema estrutural, não conjuntural.

A OMS também aponta que a violência por parceiro íntimo é a forma mais comum de violência contra mulheres globalmente, afetando cerca de 641 milhões de mulheres. Em países de baixa e média renda, a prevalência é ainda maior, mas o fenômeno está longe de ser exclusivo de contextos de pobreza — ele atravessa classes sociais, culturas e regiões geográficas.

Brasil em números: 21,4 milhões de brasileiras sofreram violência nos últimos 12 meses

No Brasil, a dimensão do problema é igualmente alarmante. Levantamentos do Instituto Datafolha apontam que 21,4 milhões de mulheres declararam ter sofrido algum tipo de violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa. Isso equivale a cerca de 1 em cada 4 mulheres adultas no país.

Desse total, a violência psicológica aparece como a mais frequente, seguida pela violência física. A violência sexual intrafamiliar, historicamente a mais subnotificada, também compõe esse cenário de forma significativa, ainda que os registros formais não reflitam sua real magnitude.

DataSenado 2025: violência de gênero atinge 3,7 milhões de brasileiras atualmente

A pesquisa DataSenado de 2025 trouxe um recorte ainda mais específico: 3,7 milhões de brasileiras declararam estar sofrendo violência doméstica no momento em que foram entrevistadas. Esse dado é particularmente grave porque indica uma situação de violência ativa, contínua, e não apenas retrospectiva. Para entender qual a porcentagem de violência doméstica no Brasil em termos históricos e comparativos, é fundamental considerar tanto os registros policiais quanto as pesquisas de vitimização, que capturam casos que jamais chegam às delegacias.

Por que as mulheres são desproporcionalmente afetadas pela violência doméstica

Desigualdade de gênero e relações de poder como fatores estruturais

A violência doméstica contra mulheres não ocorre no vácuo. Ela é alimentada por estruturas sociais que historicamente colocaram a mulher em posição de subordinação econômica, jurídica e simbólica em relação ao homem. A dependência financeira, a desigualdade no mercado de trabalho, a divisão desigual do trabalho doméstico e a normalização cultural de comportamentos controladores são fatores que criam e mantêm o ambiente propício para a violência.

Pesquisas sobre por que a violência doméstica acontece demonstram que o ciclo de violência se sustenta exatamente porque esses fatores estruturais dificultam a saída da vítima da relação abusiva. O agressor, frequentemente, utiliza a dependência econômica e o isolamento social como ferramentas de controle.

O papel do agressor: em mais de 70% dos casos, o autor é parceiro íntimo ou familiar

Dados consistentes de boletins de ocorrência e pesquisas de vitimização indicam que, em mais de 70% dos casos de violência doméstica contra mulheres, o autor é o parceiro íntimo atual ou ex-parceiro. Maridos, companheiros, namorados e ex-companheiros concentram a maior parte das agressões registradas. Familiares diretos — pais, irmãos, filhos — aparecem em segundo lugar.

Esse dado é relevante do ponto de vista jurídico porque determina a aplicabilidade da Lei Maria da Penha: a lei não exige que agressor e vítima coabitem, mas sim que exista ou tenha existido uma relação doméstica, familiar ou afetiva entre eles.

Tipos de violência doméstica mais comuns contra mulheres

Violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral: definições e exemplos

Para compreender a extensão do fenômeno, é essencial conhecer as modalidades de violência reconhecidas pela legislação brasileira. Saber o que caracteriza a violência doméstica é o primeiro passo tanto para vítimas que buscam proteção quanto para profissionais do direito que atuam nesses casos.

  • Violência física: qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal — tapas, socos, empurrões, queimaduras, estrangulamento.
  • Violência psicológica: condutas que causem dano emocional, diminuição da autoestima, controle de comportamento, humilhação, ameaças e manipulação. É a forma mais prevalente e, muitas vezes, a menos reconhecida pelas próprias vítimas.
  • Violência sexual: qualquer conduta que constranja a mulher a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada, por meio de intimidação, ameaça ou uso de força.
  • Violência patrimonial: retenção, subtração ou destruição de documentos, bens, valores e recursos econômicos da vítima.
  • Violência moral: calúnia, difamação ou injúria, frequentemente praticadas em ambientes digitais nos casos mais recentes.

Para aprofundar o tema da violência psicológica — a mais silenciosa e devastadora —, vale consultar o conteúdo específico sobre o que é violência doméstica psicológica.

O que diz a Lei Maria da Penha sobre as formas de violência doméstica

A Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, enumera expressamente essas cinco formas de violência em seu artigo 7º. A lei representa um marco na proteção jurídica das mulheres brasileiras, criando mecanismos específicos como as medidas protetivas de urgência, os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e a possibilidade de prisão preventiva do agressor.

A legislação também vedou expressamente a aplicação de penas alternativas como pagamento de cestas básicas ou multas para crimes praticados com violência doméstica, respondendo a uma crítica histórica de que o sistema judicial tratava esses crimes com excessiva leveza.

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Perfil das vítimas de violência doméstica no Brasil

Mulheres negras são as mais vulneráveis: dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher Negra

A violência doméstica não afeta todas as mulheres da mesma forma. Mulheres negras são desproporcionalmente atingidas: pesquisas nacionais indicam que elas representam a maioria das vítimas de feminicídio no Brasil, com taxas de homicídio significativamente superiores às de mulheres brancas. A intersecção entre gênero e raça amplifica a vulnerabilidade, especialmente quando combinada com menor acesso a serviços públicos, menor renda e maior dependência econômica do parceiro.

O Atlas da Violência, publicado pelo IPEA, confirma essa tendência ao longo de vários anos: enquanto a taxa de homicídio de mulheres brancas apresentou queda em determinados períodos, a taxa de mulheres negras permaneceu estável ou cresceu, evidenciando que as políticas públicas não alcançam esse grupo com a mesma efetividade.

Faixa etária, renda e escolaridade: quem são as mulheres mais atingidas

Os dados de vitimização indicam que mulheres entre 25 e 44 anos concentram a maior parte dos registros de violência doméstica. Essa faixa corresponde ao período de maior envolvimento em relações conjugais estáveis e, frequentemente, de maior dependência econômica decorrente da maternidade.

Em termos de renda e escolaridade, a violência doméstica está presente em todos os estratos sociais, mas a subnotificação é maior entre mulheres de maior renda — que tendem a evitar o sistema público de denúncia por receio de exposição. Mulheres de baixa renda, por outro lado, enfrentam barreiras práticas para romper o ciclo de violência, como a incapacidade financeira de manter moradia independente.

Homens também sofrem violência doméstica? Entenda o que os dados indicam

Violência doméstica contra homens: existência, subnotificação e diferenças de magnitude

Sim, homens também podem ser vítimas de violência doméstica — e esse fato não deve ser minimizado. Pesquisas de vitimização indicam que homens sofrem violência praticada por parceiras, ex-parceiras ou familiares, sobretudo na modalidade psicológica e, em menor escala, física. A subnotificação masculina é ainda mais acentuada do que a feminina, em razão de estigmas culturais que associam a vitimização ao enfraquecimento da masculinidade.

No entanto, os números absolutos e a gravidade das consequências são substancialmente diferentes. Homens raramente são assassinados por parceiras íntimas — ao contrário das mulheres, para quem o feminicídio praticado pelo companheiro é uma das principais causas de morte violenta. A legislação aplicável ao homem vítima de violência doméstica é distinta da Lei Maria da Penha, e para entender qual a lei que protege o homem de violência doméstica, é necessário recorrer ao Código Penal e ao Estatuto da Família, entre outros diplomas.

Por que comparar os números não significa ignorar nenhuma vítima

Reconhecer que mulheres são as principais vítimas de violência doméstica não equivale a afirmar que homens não sofrem ou não merecem proteção. A comparação dos dados serve a um propósito objetivo: orientar políticas públicas, alocar recursos e calibrar instrumentos jurídicos de acordo com a dimensão real do problema. Uma política pública eficiente precisa ser baseada em evidências — e as evidências apontam para uma desproporção que justifica a existência de legislação específica voltada à proteção das mulheres.

Subnotificação: por que a maioria dos casos não é denunciada

60% das mulheres que sofrem violência de gênero não denunciam: principais motivos

Pesquisas nacionais indicam que cerca de 60% das mulheres que sofreram violência doméstica não registraram boletim de ocorrência. Os motivos mais frequentemente citados são:

  • Medo de represálias do agressor;
  • Dependência financeira e habitacional;
  • Presença de filhos em comum e receio de desestruturar a família;
  • Vergonha e estigma social;
  • Falta de confiança no sistema de justiça;
  • Esperança de que o agressor mude de comportamento;
  • Desconhecimento dos direitos e dos canais de denúncia disponíveis.

Como a subnotificação distorce as estatísticas e dificulta políticas públicas

A subnotificação cria um paradoxo: quanto mais grave e crônica a violência, menor a probabilidade de denúncia imediata — porque o controle exercido pelo agressor é também mais intenso. Isso significa que os dados oficiais subestimam sistematicamente a dimensão real do problema. Para pesquisadores e formuladores de políticas, isso representa um desafio metodológico permanente. Para o sistema de justiça, significa que os boletins de ocorrência registrados são apenas a ponta do iceberg.

Mais de 250 mil casos registrados em 2023: o que os boletins de ocorrência revelam

Distribuição regional dos casos de violência doméstica no Brasil

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, com dados referentes a 2023, registrou mais de 250 mil casos de violência doméstica formalmente registrados no país. As regiões Sudeste e Sul concentram o maior volume absoluto de registros, em parte porque possuem maior densidade populacional e maior capilaridade do sistema de segurança pública. No entanto, quando se analisa a taxa por 100 mil habitantes, estados do Norte e Centro-Oeste apresentam índices elevados, indicando que o problema é nacional e não restrito a regiões específicas.

Evolução histórica dos registros: o que mudou após a Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, produziu efeitos concretos nos registros formais de violência doméstica. Nos anos seguintes à sua vigência, observou-se aumento significativo no número de boletins de ocorrência — não necessariamente porque a violência aumentou, mas porque mais mulheres passaram a reconhecer a violência como crime e a buscar o sistema de justiça. A criação de delegacias especializadas da mulher e a ampliação da rede de atendimento também contribuíram para esse crescimento nos registros.

Ainda assim, o número de feminicídios permanece elevado, o que indica que o aumento dos registros não se traduziu proporcionalmente em redução da violência letal. Entender como acabar com a violência doméstica exige, portanto, muito mais do que aprimoramento legislativo — demanda transformação cultural, investimento em políticas públicas e fortalecimento da rede de proteção.

O que fazer diante de um caso de violência doméstica: canais de denúncia e apoio

Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180): como funciona e quando acionar

O Ligue 180 é o principal canal de denúncia e orientação para mulheres em situação de violência doméstica no Brasil. Funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, de forma gratuita e sigilosa. A central recebe denúncias, orienta sobre os direitos da vítima, informa sobre a rede de atendimento disponível na região e encaminha casos urgentes para os órgãos competentes. Também é possível realizar denúncias pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil e pelo site da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.

Delegacias especializadas, medidas protetivas e outros recursos disponíveis

Além do Ligue 180, a vítima pode buscar diretamente uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) ou, na ausência desta, qualquer delegacia de polícia civil. O registro do boletim de ocorrência é o ponto de partida para a solicitação de medidas protetivas de urgência, que podem incluir o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação e contato, e a suspensão do porte de armas.

Para quem não sabe exatamente como provar violência doméstica, é importante saber que a palavra da vítima tem valor probatório reconhecido pelos tribunais brasileiros, especialmente quando acompanhada de outros elementos como registros médicos, capturas de tela de mensagens, testemunhos e laudos periciais. A assistência de um advogado especializado em direito penal pode ser determinante para garantir que todos os elementos de prova sejam adequadamente documentados e apresentados ao Judiciário.


FAQ: Qual gênero sofre mais violência doméstica no Brasil?

As mulheres são as principais vítimas de violência doméstica no Brasil. Dados do DataSenado, do Instituto Datafolha e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirmam consistentemente essa desproporção. Mulheres representam a esmagadora maioria das vítimas de violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral no ambiente doméstico e familiar, além de concentrarem praticamente todos os casos de feminicídio praticado por parceiro íntimo.

FAQ: Homens podem ser vítimas de violência doméstica?

Sim, homens podem ser vítimas de violência doméstica. Embora os números sejam significativamente menores em comparação às mulheres, a violência praticada por parceiras, ex-parceiras ou familiares contra homens existe e é subnotificada. A legislação brasileira oferece proteção a todas as vítimas de violência doméstica, independentemente do gênero, por meio do Código Penal e de outras normas aplicáveis. A Lei Maria da Penha, no entanto, aplica-se exclusivamente à proteção das mulheres, em razão da vulnerabilidade específica reconhecida pelo legislador.

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