{"id":4457,"date":"2026-06-30T16:53:29","date_gmt":"2026-06-30T19:53:29","guid":{"rendered":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/quem-morre-mais-por-violencia-domestica\/"},"modified":"2026-06-30T16:53:29","modified_gmt":"2026-06-30T19:53:29","slug":"quem-morre-mais-por-violencia-domestica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/quem-morre-mais-por-violencia-domestica\/","title":{"rendered":"Quem morre mais por viol\u00eancia dom\u00e9stica"},"content":{"rendered":"<p>Quem morre mais por viol\u00eancia dom\u00e9stica no Brasil? Os dados s\u00e3o alarmantes: mulheres representam a maioria absoluta das v\u00edtimas fatais em contextos de viol\u00eancia familiar. Segundo o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, a viol\u00eancia dom\u00e9stica segue como uma das principais causas de morte entre mulheres em idade produtiva, superando muitos crimes convencionais em frequ\u00eancia e gravidade. Essa realidade coloca a Lei Maria da Penha no centro de discuss\u00f5es jur\u00eddicas essenciais sobre prote\u00e7\u00e3o, responsabiliza\u00e7\u00e3o e direitos fundamentais.<\/p>\n<p>Compreender os padr\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 fundamental n\u00e3o apenas para v\u00edtimas que buscam prote\u00e7\u00e3o legal, mas tamb\u00e9m para investigados e r\u00e9us que precisam de uma defesa t\u00e9cnica adequada em processos regidos por essa legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. A complexidade desses casos exige an\u00e1lise cuidadosa das circunst\u00e2ncias, provas e direitos processuais envolvidos, independentemente do lado da demanda. Um acompanhamento jur\u00eddico especializado desde as fases iniciais do processo pode fazer diferen\u00e7a significativa no resultado final e na prote\u00e7\u00e3o dos direitos de todas as partes envolvidas.<\/p>\n<h2>Quem morre mais por viol\u00eancia dom\u00e9stica: mulheres ou homens?<\/h2>\n<p>A resposta a essa pergunta n\u00e3o \u00e9 apenas estat\u00edstica \u2014 ela tem peso jur\u00eddico, pol\u00edtico e social. No Brasil, os dados consolidados de diferentes fontes oficiais apontam de forma consistente para um mesmo resultado: <strong>mulheres morrem muito mais do que homens em contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/strong>. A propor\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 marginal. \u00c9 expressiva o suficiente para justificar uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, pol\u00edticas p\u00fablicas dedicadas e um tipo penal pr\u00f3prio: o feminic\u00eddio.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que homens jamais sejam v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica \u2014 eles tamb\u00e9m s\u00e3o. Mas quando o recorte \u00e9 a morte dentro do ambiente dom\u00e9stico ou por parceiro \u00edntimo, o perfil da v\u00edtima fatal \u00e9 predominantemente feminino. Compreender essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental tanto para o debate p\u00fablico quanto para a atua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica no Direito Penal, especialmente em processos que envolvem <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/o-que-e-crime-doloso-contra-a-vida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">crimes dolosos contra a vida<\/a> no contexto familiar.<\/p>\n<h2>O que os dados oficiais dizem sobre mortes por viol\u00eancia dom\u00e9stica no Brasil<\/h2>\n<h3>Atlas da Viol\u00eancia 2023: panorama geral dos homic\u00eddios no Brasil<\/h3>\n<p>O Atlas da Viol\u00eancia 2023, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) em parceria com o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, \u00e9 uma das fontes mais completas sobre mortes violentas no pa\u00eds. O documento revela que, embora homens representem a maioria absoluta das v\u00edtimas de homic\u00eddio em geral \u2014 especialmente em contextos de criminalidade urbana, tr\u00e1fico e confrontos \u2014, o cen\u00e1rio muda radicalmente quando o filtro \u00e9 o ambiente dom\u00e9stico e o v\u00ednculo afetivo com o agressor.<\/p>\n<p>Em 2021, \u00faltimo ano com dados consolidados no Atlas, foram registrados 1.341 feminic\u00eddios no Brasil. Esse n\u00famero representa apenas os casos formalmente tipificados como tal, ou seja, aqueles em que a motiva\u00e7\u00e3o de g\u00eanero foi reconhecida na investiga\u00e7\u00e3o e na den\u00fancia. A subnotifica\u00e7\u00e3o, como veremos adiante, infla essa realidade de forma significativa.<\/p>\n<h3>IBGE: propor\u00e7\u00e3o de homic\u00eddios de mulheres dentro de casa \u00e9 mais que o dobro da de homens<\/h3>\n<p>Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade (SIM), vinculado ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, demonstram uma assimetria clara: <strong>a propor\u00e7\u00e3o de mulheres assassinadas dentro do pr\u00f3prio domic\u00edlio \u00e9 mais que o dobro da observada entre homens<\/strong>. Enquanto homic\u00eddios masculinos ocorrem majoritariamente em vias p\u00fablicas, bares e periferias urbanas, os femininos concentram-se no espa\u00e7o que deveria ser o mais seguro \u2014 a casa.<\/p>\n<p>Esse dado \u00e9 juridicamente relevante porque desloca o eixo da an\u00e1lise: a viol\u00eancia letal contra mulheres n\u00e3o \u00e9 produto do ambiente externo ou da criminalidade difusa. \u00c9, em grande medida, uma viol\u00eancia praticada por pessoas conhecidas, em rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a ou depend\u00eancia, dentro de um espa\u00e7o privado de dif\u00edcil acesso para o Estado.<\/p>\n<h3>Feminic\u00eddio \u00edntimo: quando o agressor \u00e9 o parceiro ou ex-parceiro<\/h3>\n<p>O feminic\u00eddio \u00edntimo \u2014 aquele praticado por companheiro, marido, namorado ou ex-parceiro \u2014 representa a categoria mais frequente dentro dos crimes de feminic\u00eddio registrados no Brasil. Estudos do Ipea e do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica indicam que, em mais de 60% dos casos de feminic\u00eddio, o autor \u00e9 ou foi parceiro afetivo da v\u00edtima.<\/p>\n<p>Esse padr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exclusivo do Brasil. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) aponta que, globalmente, cerca de 38% de todos os assassinatos de mulheres s\u00e3o cometidos por parceiros \u00edntimos. No caso dos homens, esse percentual \u00e9 inferior a 6%. A diferen\u00e7a \u00e9 estrutural e est\u00e1 diretamente ligada \u00e0s din\u00e2micas de poder, controle e depend\u00eancia que caracterizam rela\u00e7\u00f5es abusivas.<\/p>\n<h2>Mulheres mortas por parceiros vs. homens mortos por parceiras: compara\u00e7\u00e3o real<\/h2>\n<h3>Por que a narrativa de que &#8216;homens morrem mais&#8217; \u00e9 considerada fake news<\/h3>\n<p>\u00c9 verdade que, em termos absolutos, mais homens morrem por homic\u00eddio no Brasil do que mulheres. Em 2021, foram aproximadamente 40.000 homic\u00eddios masculinos contra pouco mais de 3.800 femininos. Mas essa compara\u00e7\u00e3o, quando usada para relativizar a viol\u00eancia dom\u00e9stica contra mulheres, \u00e9 metodologicamente desonesta por uma raz\u00e3o simples: <strong>a maioria dos homens n\u00e3o morre por viol\u00eancia dom\u00e9stica \u2014 morre por outros fatores<\/strong>, como conflitos entre grupos criminosos, roubos e disputas territoriais.<\/p>\n<p>Quando o recorte \u00e9 espec\u00edfico \u2014 quem mata e qual \u00e9 o v\u00ednculo com a v\u00edtima \u2014, o quadro se inverte completamente. A narrativa de que &#8220;homens morrem mais&#8221; omite o contexto e mistura categorias incompar\u00e1veis, o que distorce a compreens\u00e3o do fen\u00f4meno e pode ser usada para deslegitimar pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher.<\/p>\n<h3>Diferen\u00e7a entre homic\u00eddio dom\u00e9stico e homic\u00eddio em contexto de viol\u00eancia de g\u00eanero<\/h3>\n<p>Nem todo homic\u00eddio que ocorre dentro de casa \u00e9 um feminic\u00eddio, e nem todo homic\u00eddio dom\u00e9stico envolve viol\u00eancia de g\u00eanero. O <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/o-que-e-crime-doloso-contra-a-vida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">crime doloso contra a vida<\/a> praticado no ambiente dom\u00e9stico pode ter motiva\u00e7\u00f5es diversas \u2014 disputas patrimoniais, conflitos entre parentes, crimes passionais sem componente de g\u00eanero, entre outros.<\/p>\n<p>O feminic\u00eddio, tipificado no artigo 121, \u00a72\u00ba, inciso VI do C\u00f3digo Penal, exige que o homic\u00eddio seja cometido <em>por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino<\/em>, o que a lei define como viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar ou menosprezo\/discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher. Essa distin\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica \u00e9 essencial na <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/defesa-preliminar-homicidio-qualificado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">defesa preliminar em homic\u00eddio qualificado<\/a>, pois impacta diretamente a tipifica\u00e7\u00e3o, a compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari e a estrat\u00e9gia defensiva.<\/p>\n<h2>Grupos mais vulner\u00e1veis \u00e0 morte por viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/h2>\n<h3>Mulheres negras: dupla vulnerabilidade nos dados de feminic\u00eddio<\/h3>\n<p>O recorte racial aprofunda ainda mais a desigualdade j\u00e1 revelada pelo recorte de g\u00eanero. Segundo o Atlas da Viol\u00eancia 2023, <strong>mulheres negras s\u00e3o assassinadas a uma taxa significativamente maior do que mulheres brancas<\/strong>. Entre 2011 e 2021, a taxa de homic\u00eddios de mulheres negras cresceu, enquanto a de mulheres n\u00e3o negras recuou. Isso indica que as pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o existentes alcan\u00e7am de forma desigual diferentes grupos populacionais.<\/p>\n<p>Essa dupla vulnerabilidade \u2014 de g\u00eanero e racial \u2014 reflete desigualdades estruturais de acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos, renda, moradia e prote\u00e7\u00e3o institucional. Mulheres negras em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica frequentemente enfrentam barreiras adicionais para romper o ciclo abusivo, o que aumenta o risco de desfecho fatal.<\/p>\n<h3>Mulheres com defici\u00eancia e o risco elevado de viol\u00eancia dom\u00e9stica fatal<\/h3>\n<p>Mulheres com defici\u00eancia f\u00edsica, intelectual ou sensorial est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade ampliada em contextos de viol\u00eancia dom\u00e9stica. A depend\u00eancia do agressor para atividades b\u00e1sicas, o isolamento social imposto e a dificuldade de acesso a canais de den\u00fancia criam um ambiente de controle absoluto que favorece a escalada da viol\u00eancia. Estudos nacionais e internacionais indicam que mulheres com defici\u00eancia t\u00eam probabilidade significativamente maior de sofrer viol\u00eancia dom\u00e9stica do que mulheres sem defici\u00eancia \u2014 e menor probabilidade de sobreviver a ela sem interven\u00e7\u00e3o externa.<\/p>\n<h3>Crian\u00e7as e adolescentes: v\u00edtimas invis\u00edveis da viol\u00eancia dom\u00e9stica letal<\/h3>\n<p>A viol\u00eancia dom\u00e9stica fatal n\u00e3o atinge apenas adultos. Crian\u00e7as e adolescentes que vivem em lares com hist\u00f3rico de viol\u00eancia dom\u00e9stica est\u00e3o expostos a risco de morte, seja como v\u00edtimas diretas de agressores que tamb\u00e9m violentam a m\u00e3e, seja como alvos de viol\u00eancia usada como instrumento de controle sobre a parceira. O filic\u00eddio \u2014 assassinato de filhos pelo genitor \u2014 \u00e9 uma das formas mais extremas dessa din\u00e2mica e aparece de forma recorrente em casos de feminic\u00eddio seguido de morte de filhos.<\/p>\n<h2>Viol\u00eancia de g\u00eanero e mortalidade: o que a ci\u00eancia comprova<\/h2>\n<h3>Estudo do SciELO: compara\u00e7\u00e3o da mortalidade por agress\u00e3o entre homens e mulheres no Brasil<\/h3>\n<p>Pesquisas publicadas na base SciELO Brasil, especialmente aquelas vinculadas \u00e0 \u00e1rea de sa\u00fade coletiva e epidemiologia, refor\u00e7am o que os dados administrativos j\u00e1 indicam: <strong>a mortalidade feminina por agress\u00e3o tem como principal determinante o v\u00ednculo afetivo com o agressor<\/strong>, enquanto a mortalidade masculina est\u00e1 mais associada a fatores externos ao ambiente dom\u00e9stico. Um estudo publicado na <em>Revista de Sa\u00fade P\u00fablica<\/em> analisou dados do SIM e concluiu que a resid\u00eancia \u00e9 o local de ocorr\u00eancia predominante nos homic\u00eddios femininos, ao contr\u00e1rio dos masculinos, onde vias p\u00fablicas lideram amplamente.<\/p>\n<p>Esses achados t\u00eam implica\u00e7\u00e3o direta na compreens\u00e3o jur\u00eddica do fen\u00f4meno: a morte de mulheres por viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um problema de seguran\u00e7a p\u00fablica no sentido cl\u00e1ssico \u2014 \u00e9 um problema de prote\u00e7\u00e3o dentro do n\u00facleo familiar, o que exige respostas legais e processuais espec\u00edficas.<\/p>\n<h3>Por que a maioria das mortes de mulheres ocorre dentro do domic\u00edlio<\/h3>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o de homic\u00eddios femininos no ambiente dom\u00e9stico n\u00e3o \u00e9 acidental. Ela \u00e9 o resultado de um ciclo de viol\u00eancia que, quando n\u00e3o interrompido, escala progressivamente. O modelo te\u00f3rico do &#8220;ciclo da viol\u00eancia dom\u00e9stica&#8221;, descrito pela psic\u00f3loga Lenore Walker, descreve fases de tens\u00e3o, explos\u00e3o, reconcilia\u00e7\u00e3o e lua de mel que se repetem com intensidade crescente. Quando a v\u00edtima tenta romper esse ciclo \u2014 especialmente ao anunciar separa\u00e7\u00e3o \u2014, o risco de homic\u00eddio aumenta drasticamente. Dados nacionais mostram que uma parcela significativa dos feminic\u00eddios ocorre exatamente no momento em que a mulher decide se separar ou j\u00e1 comunicou essa decis\u00e3o ao agressor.<\/p>\n<h2>O que a Lei Maria da Penha e as pol\u00edticas p\u00fablicas revelam sobre o perfil das v\u00edtimas<\/h2>\n<h3>Dados do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica no Brasil<\/h3>\n<p>O Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania, por meio do Ligue 180 \u2014 Central de Atendimento \u00e0 Mulher \u2014, publica periodicamente relat\u00f3rios sobre os registros de viol\u00eancia dom\u00e9stica no pa\u00eds. Os dados mostram que a maioria das v\u00edtimas que aciona o servi\u00e7o \u00e9 do sexo feminino, com idades entre 20 e 40 anos, e que o agressor, na maior parte dos casos, \u00e9 o companheiro ou ex-companheiro. A Lei Maria da Penha (Lei n\u00ba 11.340\/2006) foi criada justamente para responder a esse perfil espec\u00edfico de viol\u00eancia, criando mecanismos de prote\u00e7\u00e3o, medidas protetivas de urg\u00eancia e uma estrutura processual diferenciada.<\/p>\n<p>A lei tamb\u00e9m qualificou o feminic\u00eddio como homic\u00eddio qualificado em 2015 (Lei n\u00ba 13.104\/2015), tornando-o crime hediondo e sujeito ao julgamento pelo <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/o-que-e-plenitude-de-defesa-no-tribunal-do-juri\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tribunal do J\u00fari com plenitude de defesa<\/a>. Essa qualifica\u00e7\u00e3o tem impacto direto na <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/tese-de-defesa-para-homicidio-qualificado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tese de defesa para homic\u00eddio qualificado<\/a>, exigindo do advogado criminalista um dom\u00ednio t\u00e9cnico aprofundado da tipifica\u00e7\u00e3o e das circunst\u00e2ncias do caso.<\/p>\n<h3>Subnotifica\u00e7\u00e3o: quantas mortes por viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o s\u00e3o registradas<\/h3>\n<p>Os n\u00fameros oficiais de feminic\u00eddio e homic\u00eddio dom\u00e9stico representam apenas uma fra\u00e7\u00e3o da realidade. A subnotifica\u00e7\u00e3o ocorre por m\u00faltiplas raz\u00f5es: mortes classificadas incorretamente como acidente ou suic\u00eddio, aus\u00eancia de investiga\u00e7\u00e3o adequada, press\u00e3o familiar para n\u00e3o registrar ocorr\u00eancia, depend\u00eancia econ\u00f4mica da v\u00edtima em rela\u00e7\u00e3o ao agressor e desconfian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es. Organiza\u00e7\u00f5es como o Observe \u2014 Observat\u00f3rio da Lei Maria da Penha \u2014 estimam que os n\u00fameros reais podem ser substancialmente maiores do que os registros oficiais indicam.<\/p>\n<p>Essa subnotifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afeta o sistema de justi\u00e7a criminal: sem registro, n\u00e3o h\u00e1 investiga\u00e7\u00e3o; sem investiga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 den\u00fancia; sem den\u00fancia, n\u00e3o h\u00e1 processo. O ciclo de impunidade retroalimenta a viol\u00eancia e reduz a percep\u00e7\u00e3o de risco por parte dos agressores.<\/p>\n<h2>FAQ: Quem morre mais por viol\u00eancia dom\u00e9stica no Brasil, homens ou mulheres?<\/h2>\n<p><strong>Mulheres morrem muito mais do que homens em contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/strong> Embora homens representem a maioria das v\u00edtimas de homic\u00eddio em geral, quando o recorte \u00e9 o ambiente dom\u00e9stico e o v\u00ednculo com o agressor, as mulheres s\u00e3o as principais v\u00edtimas fatais. Os dados do Ipea, do SIM e do IBGE confirmam essa assimetria de forma consistente.<\/p>\n<h2>FAQ: Qual \u00e9 o n\u00famero de feminic\u00eddios registrados por ano no Brasil?<\/h2>\n<p>Segundo o Atlas da Viol\u00eancia 2023, foram registrados <strong>1.341 feminic\u00eddios em 2021<\/strong>. Esse n\u00famero considera apenas os casos formalmente tipificados como feminic\u00eddio. O n\u00famero real, considerando subnotifica\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00f5es incorretas, \u00e9 estimado como significativamente maior.<\/p>\n<h2>FAQ: Homens tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica fatal?<\/h2>\n<p>Sim, homens tamb\u00e9m podem ser v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, inclusive letal. No entanto, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 muito menor do que a observada entre mulheres, e o contexto costuma ser diferente \u2014 frequentemente associado a conflitos com outros familiares ou situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, e n\u00e3o ao padr\u00e3o de controle coercitivo que caracteriza a viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<h2>FAQ: \u00c9 verdade que mais mulheres matam homens do que homens matam mulheres?<\/h2>\n<p><strong>N\u00e3o. Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 falsa e n\u00e3o encontra respaldo em nenhuma fonte oficial brasileira.<\/strong> Os dados do SIM e do Ipea mostram que homens matam mulheres em propor\u00e7\u00e3o muito superior ao inverso, especialmente em contexto dom\u00e9stico e de parceria \u00edntima. A narrativa contr\u00e1ria costuma misturar dados de contextos distintos para distorcer a realidade.<\/p>\n<h2>FAQ: Qual a diferen\u00e7a entre feminic\u00eddio e homic\u00eddio dom\u00e9stico?<\/h2>\n<p>O <strong>feminic\u00eddio<\/strong> \u00e9 um tipo espec\u00edfico de homic\u00eddio qualificado, previsto no artigo 121, \u00a72\u00ba, VI do C\u00f3digo Penal, que exige que o crime seja cometido por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino \u2014 em contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica ou por menosprezo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher. J\u00e1 o <strong>homic\u00eddio dom\u00e9stico<\/strong> \u00e9 um termo descritivo que indica o local ou o v\u00ednculo, mas n\u00e3o necessariamente envolve motiva\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. Todo feminic\u00eddio \u00e9 um homic\u00eddio dom\u00e9stico em sentido amplo, mas nem todo homic\u00eddio dom\u00e9stico \u00e9 feminic\u00eddio.<\/p>\n<h2>FAQ: Onde buscar ajuda em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica no Brasil?<\/h2>\n<p>As principais formas de acionar prote\u00e7\u00e3o s\u00e3o: <strong>Ligue 180<\/strong> (Central de Atendimento \u00e0 Mulher, dispon\u00edvel 24 horas), <strong>Ligue 190<\/strong> (Pol\u00edcia Militar, para emerg\u00eancias), Delegacias Especializadas de Atendimento \u00e0 Mulher (DEAMs) e os Centros de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social (CRAS\/CREAS). Em situa\u00e7\u00f5es de risco imediato, a v\u00edtima pode solicitar medidas protetivas de urg\u00eancia diretamente na delegacia, sem necessidade de advogado \u2014 embora o acompanhamento jur\u00eddico especializado aumente significativamente a efetividade da prote\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descubra quem morre mais por viol\u00eancia dom\u00e9stica no Brasil e entenda os dados alarmantes sobre v\u00edtimas fatais em contextos de viol\u00eancia familiar.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":4452,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4457","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v20.11 (Yoast SEO v20.9) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Quem morre mais por viol\u00eancia dom\u00e9stica - 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