{"id":4399,"date":"2026-06-25T18:13:05","date_gmt":"2026-06-25T21:13:05","guid":{"rendered":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/o-que-e-sessao-plenaria-tribunal-do-juri\/"},"modified":"2026-06-25T18:13:05","modified_gmt":"2026-06-25T21:13:05","slug":"o-que-e-sessao-plenaria-tribunal-do-juri","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/o-que-e-sessao-plenaria-tribunal-do-juri\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 sess\u00e3o plen\u00e1ria tribunal do j\u00fari"},"content":{"rendered":"<p>A sess\u00e3o plen\u00e1ria do tribunal do j\u00fari \u00e9 a fase mais cr\u00edtica de um processo criminal envolvendo crimes dolosos contra a vida. Trata-se do momento em que um colegiado de cidad\u00e3os comuns \u2013 os jurados \u2013 avalia as provas apresentadas pela acusa\u00e7\u00e3o e defesa para decidir sobre a culpabilidade ou inoc\u00eancia do r\u00e9u. Diferentemente de outras fases processuais, onde um juiz togado profere a senten\u00e7a, o tribunal do j\u00fari funciona com base na convic\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de um grupo de pessoas selecionadas da comunidade, tornando essa sess\u00e3o um espa\u00e7o onde a persuas\u00e3o t\u00e9cnica e a argumenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica assumem import\u00e2ncia fundamental.<\/p>\n<p>Compreender o funcionamento dessa sess\u00e3o plen\u00e1ria \u00e9 essencial para qualquer pessoa envolvida em um processo penal dessa natureza. A estrutura, os prazos, as regras de apresenta\u00e7\u00e3o de provas e a din\u00e2mica da oralidade determinam diretamente o resultado do julgamento. Uma defesa efetiva depende n\u00e3o apenas do dom\u00ednio t\u00e9cnico do direito penal, mas tamb\u00e9m da capacidade de comunicar-se adequadamente com os jurados, construindo narrativas jur\u00eddicas convincentes que protejam os direitos fundamentais do acusado.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 sess\u00e3o plen\u00e1ria do Tribunal do J\u00fari?<\/h2>\n<p>A sess\u00e3o plen\u00e1ria do Tribunal do J\u00fari \u00e9 o ato processual solene no qual um r\u00e9u pronunciado \u00e9 submetido a julgamento perante um Conselho de Senten\u00e7a formado por sete jurados leigos, sob a presid\u00eancia de um juiz togado. Trata-se do momento culminante de todo o procedimento do j\u00fari: \u00e9 ali que acusa\u00e7\u00e3o e defesa debatem oralmente, as provas s\u00e3o reapresentadas em plen\u00e1rio e os jurados, de forma sigilosa, decidem sobre a culpa ou a inoc\u00eancia do acusado. A senten\u00e7a condenat\u00f3ria ou absolut\u00f3ria somente \u00e9 proferida ap\u00f3s a proclama\u00e7\u00e3o do veredicto popular.<\/p>\n<p>No sistema processual penal brasileiro, a sess\u00e3o plen\u00e1ria do j\u00fari n\u00e3o se confunde com uma audi\u00eancia comum. Ela possui rito pr\u00f3prio, disciplinado nos artigos 447 a 497 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP), com fases sequenciais obrigat\u00f3rias, prazos para os debates, regras espec\u00edficas de vota\u00e7\u00e3o e garantias constitucionais cuja inobserv\u00e2ncia acarreta nulidade absoluta do julgamento. Cuida-se, portanto, de um procedimento bif\u00e1sico em que a segunda fase \u2014 o plen\u00e1rio \u2014 representa o exerc\u00edcio direto da soberania popular na aplica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a criminal.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica subjacente ao instituto \u00e9 democr\u00e1tica: o constituinte de 1988 determinou que crimes dolosos contra a vida \u2014 os mais graves do ordenamento penal \u2014 n\u00e3o fossem julgados exclusivamente por magistrados de carreira, mas por cidad\u00e3os comuns, representantes da sociedade, que avaliam os fatos segundo sua consci\u00eancia e os valores da comunidade. Essa escolha confere ao Tribunal do J\u00fari uma legitimidade pol\u00edtica que nenhum outro \u00f3rg\u00e3o jurisdicional det\u00e9m.<\/p>\n<h3>Diferen\u00e7a entre sess\u00e3o plen\u00e1ria do J\u00fari e outras sess\u00f5es plen\u00e1rias (TSE, TRE, STJ)<\/h3>\n<p>O termo &#8220;sess\u00e3o plen\u00e1ria&#8221; aparece em diferentes contextos do direito brasileiro, o que frequentemente gera confus\u00e3o. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e no Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), a sess\u00e3o plen\u00e1ria \u00e9 uma reuni\u00e3o de ministros ou desembargadores para deliberar coletivamente sobre mat\u00e9rias de sua compet\u00eancia \u2014 recursos, consultas, a\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias. Nesses casos, todos os julgadores s\u00e3o magistrados togados, concursados ou nomeados conforme crit\u00e9rios constitucionais, e o julgamento tem natureza estritamente t\u00e9cnico-jur\u00eddica.<\/p>\n<p>A sess\u00e3o plen\u00e1ria do Tribunal do J\u00fari se distingue estruturalmente em pelo menos quatro aspectos fundamentais:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Composi\u00e7\u00e3o:<\/strong> o veredicto \u00e9 proferido por sete cidad\u00e3os leigos (jurados), e n\u00e3o por ju\u00edzes togados;<\/li>\n<li><strong>Compet\u00eancia material restrita:<\/strong> aprecia exclusivamente crimes dolosos contra a vida e os delitos conexos, ao passo que os tribunais superiores det\u00eam compet\u00eancias amplas;<\/li>\n<li><strong>Forma de delibera\u00e7\u00e3o:<\/strong> a vota\u00e7\u00e3o \u00e9 secreta, realizada em sala reservada, sem necessidade de motiva\u00e7\u00e3o expressa \u2014 o jurado n\u00e3o precisa fundamentar seu voto;<\/li>\n<li><strong>Natureza do debate:<\/strong> as sustenta\u00e7\u00f5es orais s\u00e3o cronometradas e exigem ret\u00f3rica e persuas\u00e3o dirigidas a pessoas comuns, e n\u00e3o argumenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica endere\u00e7ada a magistrados.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Portanto, ao pesquisar &#8220;o que \u00e9 sess\u00e3o plen\u00e1ria do Tribunal do J\u00fari&#8221;, o resultado n\u00e3o guarda qualquer rela\u00e7\u00e3o com as sess\u00f5es deliberativas de cortes superiores. S\u00e3o institutos que compartilham a mesma denomina\u00e7\u00e3o, mas apresentam naturezas, composi\u00e7\u00f5es e finalidades inteiramente distintas.<\/p>\n<h2>Base legal: onde a sess\u00e3o plen\u00e1ria do J\u00fari est\u00e1 prevista no ordenamento jur\u00eddico brasileiro<\/h2>\n<p>A sess\u00e3o plen\u00e1ria do Tribunal do J\u00fari encontra respaldo normativo em tr\u00eas n\u00edveis hier\u00e1rquicos do ordenamento jur\u00eddico brasileiro. No topo, a <strong>Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988<\/strong>, que no art. 5\u00ba, XXXVIII, eleva o Tribunal do J\u00fari \u00e0 categoria de direito fundamental, assegurando-lhe plenitude de defesa, sigilo das vota\u00e7\u00f5es, soberania dos veredictos e compet\u00eancia m\u00ednima para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Essa previs\u00e3o constitucional significa que nem mesmo emenda constitucional poderia suprimir o j\u00fari, pois ele integra o n\u00facleo das cl\u00e1usulas p\u00e9treas.<\/p>\n<p>No plano infraconstitucional, o <strong>C\u00f3digo de Processo Penal<\/strong> (Decreto-Lei n\u00ba 3.689\/1941, com as altera\u00e7\u00f5es introduzidas pela Lei n\u00ba 11.689\/2008) disciplina minuciosamente o procedimento do j\u00fari nos arts. 406 a 497. A reforma de 2008 foi especialmente relevante: modernizou o rito, eliminou a fase do libelo acusat\u00f3rio, simplificou os quesitos submetidos aos jurados e estabeleceu as regras vigentes sobre debates, tempo de sustenta\u00e7\u00e3o oral e vota\u00e7\u00e3o. Os arts. 447 a 497 regulam especificamente a sess\u00e3o plen\u00e1ria \u2014 da instala\u00e7\u00e3o ao encerramento.<\/p>\n<p>Completam esse arcabou\u00e7o o <strong>C\u00f3digo Penal<\/strong> (que define os crimes dolosos contra a vida sujeitos ao j\u00fari), a <strong>Lei n\u00ba 9.503\/1997<\/strong> (C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro, que em determinados casos de homic\u00eddio culposo suscita discuss\u00e3o sobre dolo eventual), al\u00e9m da jurisprud\u00eancia consolidada do STJ e do STF, respons\u00e1vel por preencher lacunas e fixar par\u00e2metros sobre nulidades, quesita\u00e7\u00e3o e soberania dos veredictos.<\/p>\n<h3>Princ\u00edpios constitucionais que regem o Tribunal do J\u00fari (art. 5\u00ba, XXXVIII, CF\/88)<\/h3>\n<p>O art. 5\u00ba, XXXVIII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal consagra quatro princ\u00edpios que funcionam como pilares estruturantes da sess\u00e3o plen\u00e1ria do j\u00fari. Cada um deles produz implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas diretas no modo como o julgamento \u00e9 conduzido:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Plenitude de defesa:<\/strong> vai al\u00e9m da ampla defesa assegurada genericamente no processo penal. No j\u00fari, a defesa pode recorrer a argumentos extrajur\u00eddicos \u2014 sociais, morais, religiosos, emocionais \u2014 para persuadir os jurados. O advogado disp\u00f5e de liberdade argumentativa mais ampla do que em qualquer outro julgamento, podendo inclusive apelar \u00e0 clem\u00eancia do Conselho de Senten\u00e7a;<\/li>\n<li><strong>Sigilo das vota\u00e7\u00f5es:<\/strong> os jurados votam em ambiente reservado, sem revelar o sentido de seu voto. Esse sigilo os protege de press\u00f5es externas, coa\u00e7\u00f5es e repres\u00e1lias, preservando a independ\u00eancia do Conselho de Senten\u00e7a;<\/li>\n<li><strong>Soberania dos veredictos:<\/strong> a decis\u00e3o dos jurados n\u00e3o pode ser substitu\u00edda pelo entendimento do juiz togado. Se absolvem, o juiz absolve; se condenam, o juiz condena. O tribunal de segunda inst\u00e2ncia pode anular o julgamento e determinar novo j\u00fari, mas n\u00e3o lhe \u00e9 permitido reformar diretamente o m\u00e9rito do veredicto popular;<\/li>\n<li><strong>Compet\u00eancia para os crimes dolosos contra a vida:<\/strong> trata-se da compet\u00eancia m\u00ednima constitucionalmente garantida. A lei pode ampli\u00e1-la, mas jamais reduzi-la abaixo desse patamar.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Esses princ\u00edpios n\u00e3o s\u00e3o meras declara\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas. Sua viola\u00e7\u00e3o durante a sess\u00e3o plen\u00e1ria gera nulidade absoluta do julgamento, pass\u00edvel de reconhecimento a qualquer tempo, inclusive em habeas corpus perante o STJ ou o STF.<\/p>\n<h2>Como funciona a sess\u00e3o plen\u00e1ria do Tribunal do J\u00fari: passo a passo<\/h2>\n<p>A sess\u00e3o plen\u00e1ria do j\u00fari obedece a um rito r\u00edgido e sequencial previsto no CPP. Cada fase possui requisitos pr\u00f3prios, e a inobserv\u00e2ncia de qualquer delas pode comprometer a validade do julgamento. Compreender esse encadeamento \u00e9 indispens\u00e1vel tanto para quem est\u00e1 sendo julgado quanto para familiares e demais interessados no processo.<\/p>\n<h3>1. Convoca\u00e7\u00e3o e instala\u00e7\u00e3o da sess\u00e3o: qu\u00f3rum m\u00ednimo de jurados<\/h3>\n<p>A sess\u00e3o plen\u00e1ria come\u00e7a muito antes do dia do julgamento. O juiz presidente convoca um n\u00famero m\u00ednimo de jurados para comparecer ao plen\u00e1rio \u2014 a lei exige a presen\u00e7a de pelo menos <strong>15 jurados<\/strong> para que a sess\u00e3o possa ser instalada (art. 463, CPP). Esses jurados s\u00e3o convocados a partir do corpo de jurados alistados no tribunal, cidad\u00e3os com mais de 18 anos, de not\u00f3ria idoneidade, que passaram por processo de sele\u00e7\u00e3o anual.<\/p>\n<p>No dia designado, o juiz presidente verifica a presen\u00e7a dos convocados. N\u00e3o havendo o qu\u00f3rum m\u00ednimo de 15, a sess\u00e3o n\u00e3o pode ser instalada e deve ser redesignada. O n\u00e3o comparecimento injustificado sujeita o jurado a multa (art. 464, CPP) e, em casos reiterados, pode acarretar outras san\u00e7\u00f5es. Verificado o qu\u00f3rum, o juiz declara instalada a sess\u00e3o, identificando as partes presentes \u2014 acusa\u00e7\u00e3o, defesa e r\u00e9u.<\/p>\n<h3>2. Sorteio e composi\u00e7\u00e3o do Conselho de Senten\u00e7a (7 jurados)<\/h3>\n<p>Com a sess\u00e3o instalada, inicia-se o sorteio dos jurados que integrar\u00e3o o <strong>Conselho de Senten\u00e7a<\/strong>. Os nomes dos presentes s\u00e3o colocados em c\u00e9dulas e sorteados aleatoriamente pelo juiz presidente. \u00c0 medida que cada nome \u00e9 anunciado, acusa\u00e7\u00e3o e defesa podem recusar o jurado \u2014 sem necessidade de justificativa \u2014 at\u00e9 o limite de <strong>tr\u00eas recusas imotivadas cada<\/strong> (art. 468, CPP).<\/p>\n<p>Al\u00e9m das recusas imotivadas, as partes podem arguir suspei\u00e7\u00e3o, impedimento ou incompatibilidade de qualquer jurado, com fundamento nos arts. 448 e 449 do CPP \u2014 por exemplo, jurado que seja parente do r\u00e9u, que j\u00e1 tenha participado do mesmo julgamento anteriormente ou que tenha interesse no resultado. O sorteio prossegue at\u00e9 que sete jurados aceitos por ambas as partes sejam selecionados. Formado o Conselho de Senten\u00e7a, os jurados prestam compromisso solene de examinar a causa com imparcialidade e decidir de acordo com sua consci\u00eancia e os ditames da justi\u00e7a (art. 472, CPP).<\/p>\n<h3>3. Instru\u00e7\u00e3o em plen\u00e1rio: interrogat\u00f3rio, testemunhas e provas<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do Conselho de Senten\u00e7a, tem in\u00edcio a instru\u00e7\u00e3o em plen\u00e1rio. Diferentemente do que ocorre em audi\u00eancias comuns, no j\u00fari toda a instru\u00e7\u00e3o \u00e9 refeita diante dos jurados \u2014 eles n\u00e3o t\u00eam acesso pr\u00e9vio ao processo completo e devem formar sua convic\u00e7\u00e3o a partir do que \u00e9 apresentado no plen\u00e1rio.<\/p>\n<p>A ordem da instru\u00e7\u00e3o segue o art. 473 do CPP: primeiro s\u00e3o ouvidas as testemunhas arroladas pela acusa\u00e7\u00e3o, depois as da defesa. O juiz presidente conduz as perguntas, e as partes podem formul\u00e1-las por seu interm\u00e9dio (sistema presidencialista). Os jurados tamb\u00e9m podem questionar as testemunhas, encaminhando suas perguntas ao juiz por escrito. Em seguida, realiza-se o <strong>interrogat\u00f3rio do r\u00e9u<\/strong>, que tem o direito de permanecer em sil\u00eancio sem que isso seja interpretado em seu desfavor. Documentos e laudos periciais podem ser lidos ou exibidos em plen\u00e1rio nessa fase.<\/p>\n<h3>4. Debates orais: acusa\u00e7\u00e3o e defesa (tempos e regras)<\/h3>\n<p>Os debates orais constituem o n\u00facleo da sess\u00e3o plen\u00e1ria do j\u00fari. \u00c9 nessa fase que promotor e advogado de defesa exp\u00f5em seus argumentos diretamente aos jurados, buscando convenc\u00ea-los. O CPP estabelece tempos espec\u00edficos:<\/p>\n<ul>\n<li>O Minist\u00e9rio P\u00fablico disp\u00f5e de <strong>1 hora e 30 minutos<\/strong> para a acusa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>A defesa tem igual per\u00edodo \u2014 <strong>1 hora e 30 minutos<\/strong>;<\/li>\n<li>Havendo assistente de acusa\u00e7\u00e3o, o tempo da acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 acrescido de 1 hora, e a defesa recebe o mesmo acr\u00e9scimo;<\/li>\n<li>Cada parte pode utilizar <strong>1 hora de r\u00e9plica e tr\u00e9plica<\/strong>, respectivamente.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Havendo mais de um r\u00e9u, os prazos s\u00e3o divididos entre os defensores, salvo acordo entre eles para distribui\u00e7\u00e3o diversa. Durante os debates, \u00e9 vedado \u00e0s partes denegrir a honra do juiz, dos jurados ou de qualquer participante do processo, bem como fazer refer\u00eancia ao voto de outros jurados em julgamentos anteriores (art. 478, CPP). O uso de algemas no r\u00e9u durante essa fase \u00e9 excepcional e deve ser fundamentado, pois pode influenciar negativamente a percep\u00e7\u00e3o dos jurados.<\/p>\n<p>A qualidade da atua\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/o-que-e-defesa-tecnica-no-processo-penal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">defesa t\u00e9cnica no processo penal<\/a> \u00e9 especialmente determinante nesse momento: um advogado experiente no Tribunal do J\u00fari sabe que persuadir jurados leigos exige muito mais do que argumentos jur\u00eddicos \u2014 exige narrativa, empatia e dom\u00ednio da ret\u00f3rica forense.<\/p>\n<h3>5. Vota\u00e7\u00e3o secreta e sala secreta: como os jurados decidem<\/h3>\n<p>Encerrados os debates, o juiz presidente l\u00ea os quesitos \u2014 perguntas objetivas sobre os fatos \u2014 que ser\u00e3o submetidos \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o dos jurados. Eles seguem a ordem estabelecida no art. 483 do CPP: primeiro a materialidade do fato (o crime ocorreu?), depois a autoria ou participa\u00e7\u00e3o (o r\u00e9u praticou o fato?), em seguida eventuais causas de absolvi\u00e7\u00e3o, qualificadoras e causas de aumento de pena.<\/p>\n<p>Os jurados s\u00e3o conduzidos \u00e0 <strong>sala secreta<\/strong> \u2014 ambiente reservado, sem a presen\u00e7a das partes ou do p\u00fablico \u2014 onde respondem aos quesitos por meio de c\u00e9dulas impressas com &#8220;sim&#8221; e &#8220;n\u00e3o&#8221;. O sigilo \u00e9 absoluto: cada jurado deposita sua c\u00e9dula em urna separada, e o resultado \u00e9 apurado pelo juiz presidente na presen\u00e7a das partes. Para condenar, s\u00e3o necess\u00e1rios pelo menos <strong>quatro votos<\/strong> favor\u00e1veis (maioria simples de sete). Uma inova\u00e7\u00e3o relevante: a apura\u00e7\u00e3o \u00e9 interrompida assim que se atinge a maioria \u2014 se os primeiros quatro votos forem &#8220;sim&#8221;, as c\u00e9dulas restantes n\u00e3o s\u00e3o abertas, preservando o sigilo do voto individual de cada jurado.<\/p>\n<h3>6. Leitura do veredicto e prola\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a pelo juiz togado<\/h3>\n<p>Apurados os votos em rela\u00e7\u00e3o a todos os quesitos, o juiz presidente proclama o veredicto do Conselho de Senten\u00e7a. Havendo absolvi\u00e7\u00e3o, a senten\u00e7a absolut\u00f3ria \u00e9 proferida imediatamente, podendo o r\u00e9u ser posto em liberdade no pr\u00f3prio ato, caso esteja preso. Havendo condena\u00e7\u00e3o, o juiz togado fixa a pena, observando as qualificadoras e causas de aumento reconhecidas pelo Conselho de Senten\u00e7a, bem como as circunst\u00e2ncias judiciais do art. 59 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental destacar que o magistrado n\u00e3o pode contrariar o veredicto dos jurados ao proferir a senten\u00e7a. Sua fun\u00e7\u00e3o, nesse momento, \u00e9 t\u00e9cnico-jur\u00eddica: aplicar a pena dentro dos par\u00e2metros legais, definir o regime inicial de cumprimento, analisar a possibilidade de recursos e, se for o caso, determinar a expedi\u00e7\u00e3o de mandado de pris\u00e3o. A senten\u00e7a \u00e9 lida em plen\u00e1rio e as partes s\u00e3o intimadas no ato.<\/p>\n<h2>Quais crimes s\u00e3o julgados na sess\u00e3o plen\u00e1ria do Tribunal do J\u00fari?<\/h2>\n<p>A compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari \u00e9 definida primariamente pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal e complementada pelo C\u00f3digo Penal. Nem todo crime grave \u00e9 submetido ao j\u00fari \u2014 a compet\u00eancia restringe-se aos crimes dolosos contra a vida e aos delitos conexos que, por for\u00e7a do art. 78, I, do CPP, s\u00e3o atra\u00eddos para o mesmo julgamento.<\/p>\n<h3>Crimes dolosos contra a vida: homic\u00eddio, feminic\u00eddio, infantic\u00eddio e outros<\/h3>\n<p>Os crimes dolosos contra a vida previstos no C\u00f3digo Penal que integram a compet\u00eancia obrigat\u00f3ria do Tribunal do J\u00fari s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Homic\u00eddio doloso simples<\/strong> (art. 121, caput, CP): matar algu\u00e9m intencionalmente, com pena de 6 a 20 anos de reclus\u00e3o;<\/li>\n<li><strong>Homic\u00eddio doloso qualificado<\/strong> (art. 121, \u00a72\u00ba, CP): praticado com motivo torpe, f\u00fatil, mediante emboscada, com emprego de veneno, fogo, explosivo ou meio cruel, entre outras qualificadoras, com pena de 12 a 30 anos;<\/li>\n<li><strong>Feminic\u00eddio<\/strong> (art. 121, \u00a72\u00ba, VI, CP): homic\u00eddio doloso praticado contra mulher por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o do sexo feminino \u2014 viol\u00eancia dom\u00e9stica ou discrimina\u00e7\u00e3o \u2014, qualificadora inserida pela Lei n\u00ba 13.104\/2015;<\/li>\n<li><strong>Induzimento, instiga\u00e7\u00e3o ou aux\u00edlio ao suic\u00eddio<\/strong> (art. 122, CP): quando resulta em morte ou les\u00e3o grave;<\/li>\n<li><strong>Infantic\u00eddio<\/strong> (art. 123, CP): quando a m\u00e3e mata o pr\u00f3prio filho durante o parto ou logo ap\u00f3s, sob influ\u00eancia do estado puerperal;<\/li>\n<li><strong>Aborto provocado<\/strong> (arts. 124 a 127, CP): nas modalidades dolosas previstas no C\u00f3digo Penal.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m desses, os crimes conexos \u2014 por exemplo, um roubo praticado no contexto de um homic\u00eddio doloso \u2014 s\u00e3o apreciados conjuntamente pelo j\u00fari, desde que a conex\u00e3o seja reconhecida pelo juiz e n\u00e3o haja regra de compet\u00eancia que impe\u00e7a a reuni\u00e3o dos processos. Vale ressaltar que o <strong>homic\u00eddio culposo<\/strong> (sem inten\u00e7\u00e3o de matar) n\u00e3o \u00e9 julgado pelo j\u00fari, sendo de compet\u00eancia da vara criminal comum. A discuss\u00e3o sobre dolo eventual em casos de homic\u00eddio no tr\u00e2nsito \u00e9 justamente a disputa sobre se o caso ser\u00e1 ou n\u00e3o levado a plen\u00e1rio.<\/p>\n<h2>Quem participa da sess\u00e3o plen\u00e1ria do Tribunal do J\u00fari?<\/h2>\n<p>A sess\u00e3o plen\u00e1ria \u00e9 um ato processual coletivo que re\u00fane diferentes atores, cada um com fun\u00e7\u00e3o e responsabilidade bem definidas. A aus\u00eancia ou irregularidade na atua\u00e7\u00e3o de qualquer deles pode comprometer a validade do julgamento.<\/p>\n<h3>Papel do juiz presidente na sess\u00e3o plen\u00e1ria<\/h3>\n<p>O juiz presidente \u00e9 a autoridade central da sess\u00e3o plen\u00e1ria. Ele n\u00e3o aprecia o m\u00e9rito \u2014 essa fun\u00e7\u00e3o cabe aos jurados \u2014 mas exerce papel fundamental na condu\u00e7\u00e3o do procedimento. Suas atribui\u00e7\u00f5es, elencadas no art. 497 do CPP, compreendem: regular a ordem das sess\u00f5es, requisitar for\u00e7a policial quando necess\u00e1rio, dirigir os trabalhos, decidir sobre quest\u00f5es de ordem surgidas durante os debates, advertir as partes quando extrapolarem os limites legais e, ao final, redigir e proferir a senten\u00e7a com base no veredicto popular.<\/p>\n<p>O juiz presidente tamb\u00e9m zela pelo respeito aos princ\u00edpios constitucionais do j\u00fari ao longo de toda a sess\u00e3o. Se algum dos advogados fizer refer\u00eancia proibida pelo art. 478 do CPP \u2014 como mencionar a decis\u00e3o de pron\u00fancia para influenciar os jurados \u2014, cabe ao magistrado intervir imediatamente. Ele tamb\u00e9m decide sobre a leitura de pe\u00e7as processuais solicitada pelas partes e sobre a exibi\u00e7\u00e3o de provas em plen\u00e1rio.<\/p>\n<h3>Papel do Minist\u00e9rio P\u00fablico (acusa\u00e7\u00e3o)<\/h3>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico, por meio do promotor de justi\u00e7a (ou procurador da Rep\u00fablica, nas compet\u00eancias federais), exerce a fun\u00e7\u00e3o acusat\u00f3ria na sess\u00e3o plen\u00e1ria. Cabe a ele sustentar a den\u00fancia, apresentar as provas da acusa\u00e7\u00e3o, inquirir as testemunhas e, nos debates orais, argumentar pela condena\u00e7\u00e3o do r\u00e9u. O promotor tem legitimidade para requerer ao juiz presidente a exibi\u00e7\u00e3o de provas, a leitura de laudos e a ado\u00e7\u00e3o de medidas necess\u00e1rias ao bom andamento da sess\u00e3o.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico tamb\u00e9m formula os quesitos que entende pertinentes \u2014 embora a reda\u00e7\u00e3o final caiba ao juiz \u2014 e pode recorrer da senten\u00e7a absolut\u00f3ria por meio de apela\u00e7\u00e3o, buscando a anula\u00e7\u00e3o do julgamento quando entender que houve decis\u00e3o manifestamente contr\u00e1ria \u00e0 prova dos autos (art. 593, III, &#8220;d&#8221;, CPP). Esse recurso, contudo, n\u00e3o viola a soberania dos veredictos: ele apenas viabiliza um novo julgamento, sem substituir o veredicto pelo entendimento do tribunal de segunda inst\u00e2ncia.<\/p>\n<h3>Papel do advogado de defesa e consequ\u00eancias do n\u00e3o comparecimento<\/h3>\n<p>O advogado de defesa \u00e9 o guardi\u00e3o dos direitos do r\u00e9u durante a sess\u00e3o plen\u00e1ria. Sua atua\u00e7\u00e3o abrange desde a fase de sele\u00e7\u00e3o dos jurados \u2014 com o exerc\u00edcio estrat\u00e9gico das recusas \u2014 at\u00e9 os debates orais, passando pela inquiri\u00e7\u00e3o das testemunhas e pela formula\u00e7\u00e3o de quesitos favor\u00e1veis \u00e0 defesa. No j\u00fari, a plenitude de defesa constitucional confere ao advogado liberdade argumentativa ampliada: ele pode lan\u00e7ar m\u00e3o de argumentos morais, sociais e emocionais, pedir clem\u00eancia aos jurados e explorar contradi\u00e7\u00f5es na vers\u00e3o acusat\u00f3ria com toda a criatividade ret\u00f3rica que o caso permitir.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a do advogado \u00e9 <strong>obrigat\u00f3ria<\/strong>. O n\u00e3o comparecimento injustificado do defensor constitu\u00eddo implica a nomea\u00e7\u00e3o de defensor dativo pelo juiz, com adiamento da sess\u00e3o por no m\u00ednimo 10 dias para que o substituto possa se preparar adequadamente (art. 456, CPP). Caso o adiamento n\u00e3o seja concedido e o julgamento ocorra sem esse prazo m\u00ednimo, a nulidade \u00e9 absoluta por cerceamento de defesa. A qualidade da <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/o-que-e-defesa-tecnica-no-processo-penal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">defesa t\u00e9cnica no processo penal<\/a> \u00e9 decisiva no Tribunal do J\u00fari \u2014 um advogado sem experi\u00eancia em plen\u00e1rio pode comprometer seriamente as chances do r\u00e9u, mesmo quando a tese defensiva \u00e9 juridicamente s\u00f3lida.<\/p>\n<h3>Papel do r\u00e9u e do assistente de acusa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>O r\u00e9u tem presen\u00e7a obrigat\u00f3ria na sess\u00e3o plen\u00e1ria, salvo se estiver solto e n\u00e3o for localizado ap\u00f3s regular intima\u00e7\u00e3o \u2014 hip\u00f3tese em que o julgamento pode ocorrer \u00e0 sua revelia (art. 457, \u00a72\u00ba, CPP). Se preso, deve ser conduzido ao plen\u00e1rio. O acusado tem o direito de ser interrogado ao final da instru\u00e7\u00e3o e pode, se assim preferir, exercer o direito ao sil\u00eancio sem qualquer preju\u00edzo processual. Sua postura e apresenta\u00e7\u00e3o no plen\u00e1rio, embora n\u00e3o sejam elementos jur\u00eddicos formais, podem influenciar a percep\u00e7\u00e3o dos jurados.<\/p>\n<p>O assistente de acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 o ofendido ou seus sucessores, habilitados nos autos para auxiliar o Minist\u00e9rio P\u00fablico. Ele pode formular perguntas \u00e0s testemunhas, requerer dilig\u00eancias e, nos debates, utilizar parte do tempo da acusa\u00e7\u00e3o para sustentar oralmente sua posi\u00e7\u00e3o. Sua participa\u00e7\u00e3o \u00e9 facultativa e depende de habilita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via no processo.<\/p>\n<h2>O que acontece se o advogado n\u00e3o comparecer \u00e0 sess\u00e3o plen\u00e1ria do J\u00fari?<\/h2>\n<p>O n\u00e3o comparecimento do advogado de defesa \u00e0 sess\u00e3o plen\u00e1ria do Tribunal do J\u00fari \u00e9 uma das situa\u00e7\u00f5es mais delicadas do procedimento, com consequ\u00eancias processuais relevantes. O art. 456 do CPP distingue duas hip\u00f3teses: a aus\u00eancia <strong>justificada<\/strong> e a <strong>injustificada<\/strong>.<\/p>\n<p>Quando o defensor constitu\u00eddo n\u00e3o comparecer sem motivo justificado, o juiz presidente nomeia defensor dativo e <strong>adia a sess\u00e3o por no m\u00ednimo 10 dias<\/strong>, intimando o substituto para que possa se preparar adequadamente. Esse prazo \u00e9 uma garantia da plenitude de defesa: n\u00e3o se pode exigir que um advogado nomeado no pr\u00f3prio dia do julgamento apresente uma defesa plena e efetiva. Se o adiamento n\u00e3o for concedido e o julgamento ocorrer com defensor dativo sem o prazo m\u00ednimo, a nulidade \u00e9 absoluta.<\/p>\n<p>Quando o defensor constitu\u00eddo justificar a aus\u00eancia com anteced\u00eancia, o juiz pode adiar a sess\u00e3o por at\u00e9 10 dias. Duas aus\u00eancias justificadas consecutivas, por\u00e9m, autorizam o magistrado a nomear defensor dativo e realizar o julgamento, entendendo configurado o abandono t\u00e1cito da causa. Nessa hip\u00f3tese, o advogado que deixou o processo pode ser comunicado \u00e0 OAB para as provid\u00eancias disciplinares cab\u00edveis.<\/p>\n<h3>Jurisprud\u00eancia do STJ sobre aus\u00eancia do defensor e nulidade do julgamento<\/h3>\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a consolidou entendimento firme sobre os efeitos da aus\u00eancia do defensor na sess\u00e3o plen\u00e1ria do j\u00fari. A corte reconhece que a realiza\u00e7\u00e3o do julgamento sem a concess\u00e3o do prazo m\u00ednimo de 10 dias ao defensor dativo configura <strong>nulidade absoluta<\/strong>, por viola\u00e7\u00e3o \u00e0 plenitude de defesa e ao devido processo legal, independentemente de demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo concreto \u2014 o dano, nesse caso, \u00e9 presumido.<\/p>\n<p>Em diversos precedentes, o STJ anulou julgamentos em que o r\u00e9u foi defendido por defensor dativo nomeado no pr\u00f3prio dia do julgamento, sem qualquer contato pr\u00e9vio com os autos. A corte tamb\u00e9m reconheceu nulidade em situa\u00e7\u00f5es de defesa manifestamente deficiente \u2014 casos em que o advogado compareceu ao plen\u00e1rio, mas sua atua\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o prec\u00e1ria que equivaleu \u00e0 aus\u00eancia de patroc\u00ednio t\u00e9cnico. Esse entendimento refor\u00e7a a import\u00e2ncia de contratar um advogado especializado em Tribunal do J\u00fari com anteced\u00eancia suficiente para o estudo do caso e a elabora\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia defensiva.<\/p>\n<h2>Sess\u00e3o plen\u00e1ria do J\u00fari online ou presencial: como funciona na pr\u00e1tica atual<\/h2>\n<p>A pandemia de COVID-19 impulsionou a realiza\u00e7\u00e3o de atos processuais por videoconfer\u00eancia em todo o sistema de justi\u00e7a brasileiro. No Tribunal do J\u00fari, essa adapta\u00e7\u00e3o suscitou quest\u00f5es jur\u00eddicas complexas, especialmente quanto \u00e0 garantia da plenitude de defesa e ao sigilo das vota\u00e7\u00f5es. A realiza\u00e7\u00e3o de sess\u00f5es plen\u00e1rias do j\u00fari de forma integralmente virtual \u00e9 controversa e encontra resist\u00eancia doutrin\u00e1ria e jurisprudencial expressiva.<\/p>\n<p>O entendimento predominante \u00e9 que a sess\u00e3o plen\u00e1ria do j\u00fari deve ser preferencialmente <strong>presencial<\/strong>, uma vez que a din\u00e2mica do julgamento \u2014 o contato visual entre jurados e r\u00e9u, a percep\u00e7\u00e3o da linguagem n\u00e3o verbal das testemunhas, a for\u00e7a da ret\u00f3rica nos debates orais \u2014 \u00e9 elemento essencial para o exerc\u00edcio pleno da defesa e para a forma\u00e7\u00e3o da convic\u00e7\u00e3o dos jurados. A realiza\u00e7\u00e3o dos debates por videoconfer\u00eancia prejudica a persuas\u00e3o e pode comprometer a isonomia entre acusa\u00e7\u00e3o e defesa.<\/p>\n<p>O CPP, com as altera\u00e7\u00f5es introduzidas pela Lei n\u00ba 13.964\/2019 (Pacote Anticrime), prev\u00ea a possibilidade de interrogat\u00f3rio do r\u00e9u por videoconfer\u00eancia em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas (art. 185, \u00a72\u00ba), mas n\u00e3o autoriza expressamente a realiza\u00e7\u00e3o integral da sess\u00e3o plen\u00e1ria do j\u00fari de forma remota. Tribunais de Justi\u00e7a editaram resolu\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias durante a pandemia autorizando sess\u00f5es h\u00edbridas, mas a tend\u00eancia p\u00f3s-pandemia \u00e9 o retorno \u00e0 presencialidade plena.<\/p>\n<h3>Exemplos de sess\u00f5es plen\u00e1rias realizadas pela Justi\u00e7a Federal (caso do Amap\u00e1)<\/h3>\n<p>Um exemplo emblem\u00e1tico de sess\u00e3o plen\u00e1ria do j\u00fari realizada de forma inovadora ocorreu no \u00e2mbito da Justi\u00e7a Federal do Amap\u00e1. Diante das dificuldades log\u00edsticas de deslocamento em um estado com extenso territ\u00f3rio e munic\u00edpios de dif\u00edcil acesso, a Justi\u00e7a Federal experimentou a realiza\u00e7\u00e3o de sess\u00f5es do j\u00fari federal com participa\u00e7\u00e3o de jurados por videoconfer\u00eancia, especialmente em casos de crimes dolosos contra a vida de compet\u00eancia federal \u2014 como homic\u00eddios praticados contra ind\u00edgenas ou servidores federais em servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Esses casos alimentaram debate sobre a validade do procedimento e sua compatibilidade com as garantias constitucionais do j\u00fari. 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