{"id":4385,"date":"2026-06-25T18:12:50","date_gmt":"2026-06-25T21:12:50","guid":{"rendered":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/"},"modified":"2026-06-25T18:12:50","modified_gmt":"2026-06-25T21:12:50","slug":"porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/","title":{"rendered":"Porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari"},"content":{"rendered":"<p>O latroc\u00ednio, tamb\u00e9m conhecido como roubo seguido de morte, possui um tratamento processual diferenciado no ordenamento jur\u00eddico brasileiro que causa d\u00favidas frequentes entre pessoas envolvidas em casos dessa natureza. Diferentemente de outros crimes dolosos contra a vida, como o homic\u00eddio simples ou qualificado, o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado pelo Tribunal do J\u00fari, mas sim pela Justi\u00e7a Comum, perante um juiz de direito. Essa distin\u00e7\u00e3o existe porque a lei considera o latroc\u00ednio um crime contra o patrim\u00f4nio que resulta em morte, e n\u00e3o primariamente um crime contra a vida.<\/p>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o legal do latroc\u00ednio como roubo qualificado pela morte, previsto no artigo 157, par\u00e1grafo 3\u00ba do C\u00f3digo Penal, afasta a compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari, que \u00e9 reservada aos crimes dolosos contra a vida em sua forma pura. Essa caracteriza\u00e7\u00e3o processual tem implica\u00e7\u00f5es importantes na condu\u00e7\u00e3o da defesa, nas possibilidades de recursos e na estrat\u00e9gia jur\u00eddica a ser adotada. Compreender essa diferen\u00e7a \u00e9 fundamental para qualquer pessoa que enfrente acusa\u00e7\u00e3o de latroc\u00ednio ou que busque informa\u00e7\u00f5es sobre como esses processos funcionam no sistema de justi\u00e7a criminal brasileiro.<\/p>\n<h2>Por que o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado pelo Tribunal do J\u00fari?<\/h2>\n<p>A quest\u00e3o aparece com frequ\u00eancia tanto entre leigos quanto entre estudantes de direito: se o latroc\u00ednio envolve uma morte, por que o r\u00e9u n\u00e3o \u00e9 submetido ao Tribunal do J\u00fari? Responder a essa pergunta exige compreender n\u00e3o apenas a tipifica\u00e7\u00e3o legal do crime, mas tamb\u00e9m a l\u00f3gica constitucional que delimita a compet\u00eancia do J\u00fari Popular no Brasil. O ponto central est\u00e1 na <strong>natureza jur\u00eddica do bem tutelado<\/strong> em cada tipo penal \u2014 e \u00e9 precisamente essa distin\u00e7\u00e3o que separa o latroc\u00ednio dos crimes apreciados pelo J\u00fari.<\/p>\n<h3>O que \u00e9 latroc\u00ednio e como ele est\u00e1 definido no C\u00f3digo Penal brasileiro<\/h3>\n<p>O latroc\u00ednio est\u00e1 previsto no <strong>artigo 157, \u00a7 3\u00ba, inciso II, do C\u00f3digo Penal<\/strong>, como modalidade qualificada do roubo. O dispositivo estabelece pena de reclus\u00e3o de 20 a 30 anos quando da viol\u00eancia resulta morte. Do ponto de vista t\u00e9cnico, o latroc\u00ednio n\u00e3o constitui um tipo aut\u00f4nomo: integra o cap\u00edtulo dos crimes contra o patrim\u00f4nio, mais especificamente o t\u00edtulo dedicado ao roubo, e a morte figura como resultado qualificador da conduta, n\u00e3o como elemento nuclear do tipo.<\/p>\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica no C\u00f3digo Penal j\u00e1 revela muito sobre a vis\u00e3o do legislador origin\u00e1rio. A estrutura do tipo coloca o <strong>patrim\u00f4nio como bem jur\u00eddico principal<\/strong>, e a viol\u00eancia \u2014 ainda que letal \u2014 como meio ou resultado da subtra\u00e7\u00e3o. Essa op\u00e7\u00e3o legislativa produz consequ\u00eancias diretas sobre a compet\u00eancia para o julgamento, como se ver\u00e1 a seguir.<\/p>\n<h3>A diferen\u00e7a entre crime doloso contra a vida e crime contra o patrim\u00f4nio<\/h3>\n<p>O C\u00f3digo Penal organiza as infra\u00e7\u00f5es em t\u00edtulos e cap\u00edtulos conforme o bem jur\u00eddico que cada tipo visa proteger. Os <strong>crimes dolosos contra a vida<\/strong> \u2014 homic\u00eddio doloso, induzimento, instiga\u00e7\u00e3o ou aux\u00edlio ao suic\u00eddio, infantic\u00eddio e aborto \u2014 est\u00e3o reunidos no T\u00edtulo I da Parte Especial, sob a rubrica &#8220;Dos Crimes Contra a Pessoa&#8221;. O latroc\u00ednio, por sua vez, ocupa o T\u00edtulo II, &#8220;Dos Crimes Contra o Patrim\u00f4nio&#8221;.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m da forma. No homic\u00eddio doloso, o agente age com a <strong>inten\u00e7\u00e3o direta ou assumida de matar<\/strong> \u2014 o dolo \u00e9 orientado ao resultado morte. No latroc\u00ednio, o dolo prim\u00e1rio \u00e9 a subtra\u00e7\u00e3o patrimonial; a morte pode decorrer de dolo eventual, culpa ou mesmo dolo direto, mas o crime permanece classificado como patrimonial porque a finalidade central da conduta \u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o do bem alheio. Esse \u00e9 o fundamento t\u00e9cnico que afasta o latroc\u00ednio da compet\u00eancia do J\u00fari Popular.<\/p>\n<h2>A S\u00famula 603 do STF: a regra que afasta o J\u00fari do latroc\u00ednio<\/h2>\n<p>Embora a controv\u00e9rsia sobre a compet\u00eancia para o julgamento do latroc\u00ednio j\u00e1 existisse anteriormente, foi o Supremo Tribunal Federal que pacificou definitivamente a mat\u00e9ria por meio de um enunciado sumular. Esse enunciado \u00e9 hoje o principal instrumento normativo invocado por magistrados e advogados ao tratar do tema.<\/p>\n<h3>O que diz exatamente a S\u00famula 603 do Supremo Tribunal Federal<\/h3>\n<p>A <strong>S\u00famula 603 do STF<\/strong>, aprovada em 1984, tem reda\u00e7\u00e3o direta e objetiva: <em>&#8220;A compet\u00eancia para o processo e julgamento de latroc\u00ednio \u00e9 do juiz singular e n\u00e3o do Tribunal do J\u00fari.&#8221;<\/em> Apesar da brevidade, o enunciado encerrou d\u00e9cadas de diverg\u00eancia jurisprudencial e ainda hoje orienta toda a pr\u00e1tica forense brasileira. Qualquer processo de latroc\u00ednio distribu\u00eddo a uma vara do J\u00fari pode ter sua compet\u00eancia questionada com fundamento nessa s\u00famula, e o v\u00edcio de compet\u00eancia absoluta \u00e9 capaz de gerar nulidade processual.<\/p>\n<h3>Como e por que o STF consolidou esse entendimento<\/h3>\n<p>A consolida\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o pelo STF decorreu de uma an\u00e1lise sistem\u00e1tica do texto constitucional e da estrutura do C\u00f3digo Penal. O Tribunal reconheceu que a compet\u00eancia do J\u00fari, por configurar garantia constitucional de contornos bem definidos, n\u00e3o comporta interpreta\u00e7\u00e3o extensiva para abranger crimes que o legislador classificou em cap\u00edtulo distinto dos crimes contra a vida.<\/p>\n<p>Havia corrente doutrin\u00e1ria e jurisprudencial que defendia a compet\u00eancia do J\u00fari sob o argumento de que qualquer crime com resultado morte deveria ser apreciado pelos pares. O STF rejeitou essa tese por entender que o crit\u00e9rio determinante n\u00e3o \u00e9 o <strong>resultado natural\u00edstico<\/strong> (a morte), mas o <strong>bem jur\u00eddico tutelado pelo tipo penal<\/strong> e a inten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria do agente. Como o latroc\u00ednio protege o patrim\u00f4nio e o dolo do agente \u00e9 voltado \u00e0 subtra\u00e7\u00e3o, o crime escapa ao \u00e2mbito de compet\u00eancia constitucionalmente reservado ao Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n<h2>Compet\u00eancia constitucional do Tribunal do J\u00fari: quais crimes ele julga<\/h2>\n<p>Para entender por que o latroc\u00ednio est\u00e1 fora do J\u00fari, \u00e9 indispens\u00e1vel examinar o que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal efetivamente determina. A compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari n\u00e3o \u00e9 fixada por lei ordin\u00e1ria, mas pela pr\u00f3pria Carta Magna \u2014 o que torna seus limites especialmente r\u00edgidos.<\/p>\n<h3>O artigo 5\u00ba, XXXVIII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e os crimes dolosos contra a vida<\/h3>\n<p>O <strong>artigo 5\u00ba, inciso XXXVIII, al\u00ednea &#8220;d&#8221;, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988<\/strong> estabelece que \u00e9 reconhecida a institui\u00e7\u00e3o do j\u00fari, com compet\u00eancia para o julgamento dos <em>crimes dolosos contra a vida<\/em>. O texto constitucional \u00e9 taxativo: n\u00e3o menciona &#8220;crimes que resultam em morte&#8221;, tampouco &#8220;crimes violentos com resultado letal&#8221;. A express\u00e3o escolhida pelo constituinte delimita com precis\u00e3o o universo de infra\u00e7\u00f5es sujeitas ao J\u00fari Popular.<\/p>\n<p>Essa escolha lingu\u00edstica tem consequ\u00eancias pr\u00e1ticas consider\u00e1veis. Significa que apenas os crimes em que o <strong>dolo do agente \u00e9 dirigido \u00e0 supress\u00e3o da vida humana<\/strong> est\u00e3o submetidos \u00e0 compet\u00eancia do J\u00fari. O rol, interpretado sistematicamente com o C\u00f3digo Penal, abrange: homic\u00eddio doloso (art. 121), induzimento, instiga\u00e7\u00e3o ou aux\u00edlio ao suic\u00eddio (art. 122), infantic\u00eddio (art. 123) e aborto nas formas dos arts. 124 a 127. Fora desse conjunto, a compet\u00eancia recai sobre a justi\u00e7a comum.<\/p>\n<h3>Por que o latroc\u00ednio \u00e9 classificado como crime contra o patrim\u00f4nio e n\u00e3o contra a vida<\/h3>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o do latroc\u00ednio como crime patrimonial n\u00e3o \u00e9 arbitr\u00e1ria nem puramente topogr\u00e1fica. Ela reflete uma op\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica consciente do legislador, fundada na <strong>estrutura do tipo e no dolo predominante do agente<\/strong>. No latroc\u00ednio, o elemento subjetivo principal \u00e9 a vontade de subtrair \u2014 a morte \u00e9 consequ\u00eancia da viol\u00eancia empregada para garantir a subtra\u00e7\u00e3o, impedir a rea\u00e7\u00e3o da v\u00edtima ou assegurar a impunidade.<\/p>\n<p>Quando o agente adentra um estabelecimento armado com a finalidade de roubar e mata o seguran\u00e7a que reage, o dolo nuclear \u00e9 patrimonial. A morte, ainda que intencional no momento em que ocorre, \u00e9 funcionalmente subordinada ao objetivo de consumar ou garantir o roubo. \u00c9 essa subordina\u00e7\u00e3o funcional que justifica a classifica\u00e7\u00e3o do crime no cap\u00edtulo patrimonial e, por consequ\u00eancia, afasta a compet\u00eancia do J\u00fari.<\/p>\n<h3>Qual ju\u00edzo \u00e9 competente para julgar o latroc\u00ednio: a Vara Criminal Comum<\/h3>\n<p>Afastada a compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari, o latroc\u00ednio \u00e9 julgado pelo <strong>juiz singular da Vara Criminal Comum<\/strong>. Isso significa que um \u00fanico magistrado togado, e n\u00e3o sete jurados leigos, proferir\u00e1 a senten\u00e7a condenat\u00f3ria ou absolut\u00f3ria. O rito adotado \u00e9 o <strong>procedimento ordin\u00e1rio<\/strong> previsto no C\u00f3digo de Processo Penal, com todas as suas fases: recebimento da den\u00fancia, resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o, audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento, debates orais e senten\u00e7a.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o da defesa t\u00e9cnica nesse contexto \u00e9 decisiva. Diferentemente do J\u00fari, onde a persuas\u00e3o dos jurados leigos tem peso consider\u00e1vel, no julgamento singular o magistrado decide com base estrita na prova e no direito. Isso exige uma <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/o-que-e-defesa-tecnica-no-processo-penal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">defesa t\u00e9cnica especializada<\/a>, capaz de explorar contradi\u00e7\u00f5es probat\u00f3rias, nulidades processuais e teses jur\u00eddicas sofisticadas diretamente perante o juiz.<\/p>\n<h2>O debate sobre a (im)possibilidade de julgamento do latroc\u00ednio pelo J\u00fari<\/h2>\n<p>A S\u00famula 603 do STF pacificou a quest\u00e3o no plano pr\u00e1tico, mas n\u00e3o encerrou o debate doutrin\u00e1rio. H\u00e1 posi\u00e7\u00f5es consistentes em ambos os lados, e a discuss\u00e3o permanece viva especialmente em contextos acad\u00eamicos e legislativos.<\/p>\n<h3>Argumentos favor\u00e1veis \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do julgamento na Vara Criminal Comum<\/h3>\n<p>Os defensores do julgamento pelo juiz singular sustentam que a <strong>especializa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do magistrado<\/strong> representa um fator de prote\u00e7\u00e3o tanto para a sociedade quanto para o r\u00e9u. Crimes de alta complexidade, como o latroc\u00ednio, frequentemente envolvem quest\u00f5es probat\u00f3rias intrincadas \u2014 laudos periciais, an\u00e1lise de dolo eventual versus dolo direto, concurso de agentes \u2014 que demandam conhecimento jur\u00eddico aprofundado para serem corretamente avaliadas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, argumenta-se que o julgamento singular oferece maior <strong>previsibilidade e uniformidade<\/strong> nas decis\u00f5es, reduzindo o risco de veredictos influenciados por fatores emocionais ou exteriores ao processo. A motiva\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria da senten\u00e7a judicial, em contraposi\u00e7\u00e3o ao sigilo das vota\u00e7\u00f5es no J\u00fari, \u00e9 apontada como garantia adicional de controle pela via recursal.<\/p>\n<h3>Argumentos que defendem o julgamento pelo Tribunal do J\u00fari<\/h3>\n<p>A corrente favor\u00e1vel ao J\u00fari parte de um argumento democr\u00e1tico: crimes que ceifam vidas deveriam ser julgados pelos pr\u00f3prios cidad\u00e3os, como express\u00e3o da <strong>soberania popular<\/strong> na administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a. H\u00e1 quem sustente que a distin\u00e7\u00e3o entre dolo voltado \u00e0 vida e dolo voltado ao patrim\u00f4nio \u00e9, na pr\u00e1tica, artificial \u2014 sobretudo quando o agente age com dolo direto de matar.<\/p>\n<p>Parte da doutrina aponta ainda uma <strong>inconsist\u00eancia valorativa<\/strong>: o homic\u00eddio doloso simples, com pena m\u00ednima de 6 anos, vai ao J\u00fari; o latroc\u00ednio, com pena m\u00ednima de 20 anos, vai ao juiz singular. O crime mais grave, sob a perspectiva da san\u00e7\u00e3o, escapa do controle democr\u00e1tico dos cidad\u00e3os. Esse racioc\u00ednio tem apelo tanto no campo da teoria democr\u00e1tica quanto na perspectiva dos direitos do acusado.<\/p>\n<h3>Propostas legislativas para transferir o latroc\u00ednio ao J\u00fari Popular<\/h3>\n<p>Ao longo dos anos, tramitaram no Congresso Nacional projetos de lei e propostas de emenda constitucional que pretendiam incluir o latroc\u00ednio entre os crimes de compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari. A maioria dessas iniciativas prop\u00f5e alterar o texto do artigo 5\u00ba, XXXVIII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal para substituir a express\u00e3o &#8220;crimes dolosos contra a vida&#8221; por formula\u00e7\u00e3o mais ampla, capaz de abranger crimes com resultado morte independentemente do bem jur\u00eddico prim\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nenhuma dessas propostas foi aprovada at\u00e9 o momento. A resist\u00eancia prov\u00e9m tanto de setores que valorizam a especializa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do juiz singular quanto de preocupa\u00e7\u00f5es com a possibilidade de veredictos populares moldados por fatores extrajur\u00eddicos. O debate, contudo, permanece aberto e ressurge periodicamente em contextos de reforma do sistema processual penal.<\/p>\n<h2>Casos especiais: tentativa de latroc\u00ednio e desdobramentos no J\u00fari<\/h2>\n<p>A regra geral \u00e9 clara: latroc\u00ednio consumado vai ao juiz singular. Mas o que ocorre quando o crime n\u00e3o se consuma integralmente? A tentativa de latroc\u00ednio apresenta varia\u00e7\u00f5es que podem alterar radicalmente a compet\u00eancia para o julgamento.<\/p>\n<h3>O que acontece quando h\u00e1 tentativa de latroc\u00ednio sem consuma\u00e7\u00e3o do roubo<\/h3>\n<p>O latroc\u00ednio admite diferentes combina\u00e7\u00f5es entre a consuma\u00e7\u00e3o do roubo e a consuma\u00e7\u00e3o da morte. Quando <strong>o roubo se consuma, mas a morte n\u00e3o<\/strong>, o STF entende que h\u00e1 tentativa de latroc\u00ednio, e a compet\u00eancia permanece na Vara Criminal Comum, em conson\u00e2ncia com a S\u00famula 603. Quando <strong>nem o roubo nem a morte se consumam<\/strong>, configura-se tentativa de roubo qualificado, igualmente de compet\u00eancia do juiz singular.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese mais complexa \u00e9 aquela em que o agente <strong>mata a v\u00edtima, mas n\u00e3o consegue subtrair o bem<\/strong>. Nesse caso, a morte se consuma, mas o objetivo patrimonial fracassa. A jurisprud\u00eancia do STF enfrentou diretamente essa situa\u00e7\u00e3o, com resultados que surpreendem \u00e0 primeira vista.<\/p>\n<h3>Decis\u00e3o do STF: condenado por tentativa de latroc\u00ednio enviado ao J\u00fari por tentativa de homic\u00eddio<\/h3>\n<p>O Supremo Tribunal Federal j\u00e1 decidiu que, quando ocorre a <strong>morte sem a subtra\u00e7\u00e3o patrimonial<\/strong>, n\u00e3o h\u00e1 latroc\u00ednio consumado nem tentado em sentido estrito \u2014 configura-se, na realidade, tentativa de roubo em concurso com homic\u00eddio doloso consumado. Nessa configura\u00e7\u00e3o, o crime de homic\u00eddio doloso, por ser aut\u00f4nomo e consumado, atrai a compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda decis\u00f5es do STF reconhecendo que, em determinadas configura\u00e7\u00f5es de tentativa, quando a conduta do agente revela dolo inequ\u00edvoco de matar e o resultado morte n\u00e3o ocorre por circunst\u00e2ncias alheias \u00e0 sua vontade, a <strong>tentativa de homic\u00eddio<\/strong> pode ser reconhecida de forma aut\u00f4noma, deslocando o julgamento para o J\u00fari. Esses casos demonstram que a fronteira entre latroc\u00ednio e homic\u00eddio doloso nem sempre \u00e9 n\u00edtida na pr\u00e1tica, e a defini\u00e7\u00e3o correta da compet\u00eancia exige an\u00e1lise cuidadosa dos fatos e do elemento subjetivo do agente \u2014 tarefa que demanda defesa especializada desde os primeiros momentos, inclusive na fase da <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/prisao-em-flagrante-7929-o-que-significa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pris\u00e3o em flagrante<\/a>.<\/p>\n<h2>Outros crimes violentos que tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o julgados pelo Tribunal do J\u00fari<\/h2>\n<p>O latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico crime grave com resultado morte que escapa da compet\u00eancia do J\u00fari. Outros tipos penais, por raz\u00f5es diversas, tamb\u00e9m s\u00e3o apreciados fora do Tribunal Popular.<\/p>\n<h3>Homic\u00eddio praticado por faccionados e julgamento por vara colegiada: distin\u00e7\u00f5es importantes<\/h3>\n<p>Uma distin\u00e7\u00e3o relevante diz respeito ao julgamento de crimes praticados por organiza\u00e7\u00f5es criminosas. A <strong>Lei n\u00ba 12.694\/2012<\/strong>, posteriormente alterada pela Lei n\u00ba 12.850\/2013, prev\u00ea a possibilidade de forma\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o colegiado de primeiro grau para o julgamento de crimes praticados por organiza\u00e7\u00f5es criminosas. Nesse caso, mesmo crimes dolosos contra a vida podem ser apreciados por um colegiado de tr\u00eas ju\u00edzes, e n\u00e3o pelo J\u00fari Popular.<\/p>\n<p>Essa hip\u00f3tese \u00e9 distinta do latroc\u00ednio: aqui, o fundamento para o afastamento do J\u00fari n\u00e3o \u00e9 a natureza do bem jur\u00eddico tutelado, mas a <strong>necessidade de prote\u00e7\u00e3o dos magistrados<\/strong> diante do poder intimidat\u00f3rio das organiza\u00e7\u00f5es criminosas. O crime continua sendo doloso contra a vida \u2014 o que se altera \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o julgador, por raz\u00f5es de seguran\u00e7a institucional. Al\u00e9m do latroc\u00ednio, infra\u00e7\u00f5es como extors\u00e3o mediante sequestro com resultado morte (art. 159, \u00a7 3\u00ba, do CP) e les\u00e3o corporal seguida de morte (art. 129, \u00a7 3\u00ba) tamb\u00e9m s\u00e3o julgadas pelo juiz singular, pois n\u00e3o integram o rol dos crimes dolosos contra a vida.<\/p>\n<p>Em todos esses casos, a atua\u00e7\u00e3o da defesa no <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/processo-penal-o-que-e-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">processo penal<\/a> exige dom\u00ednio t\u00e9cnico sobre as regras de compet\u00eancia, pois a distribui\u00e7\u00e3o incorreta do processo pode gerar nulidade absoluta, com reflexos diretos sobre a validade de toda a instru\u00e7\u00e3o criminal.<\/p>\n<h2>FAQ: O latroc\u00ednio \u00e9 considerado crime hediondo?<\/h2>\n<p>Sim. O latroc\u00ednio est\u00e1 expressamente listado no <strong>artigo 1\u00ba, inciso II, da Lei n\u00ba 8.072\/1990<\/strong> (Lei dos Crimes Hediondos). Isso significa que o crime est\u00e1 sujeito a um regime jur\u00eddico mais rigoroso: a pena deve ser cumprida inicialmente em regime fechado, a progress\u00e3o exige o cumprimento de fra\u00e7\u00f5es maiores da san\u00e7\u00e3o (40% para prim\u00e1rios e 60% para reincidentes em crimes hediondos), e \u00e9 vedada a concess\u00e3o de anistia, gra\u00e7a e indulto. A fian\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 proibida, o que torna a situa\u00e7\u00e3o do preso especialmente grave desde os primeiros momentos ap\u00f3s a <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/o-que-e-prisao-em-flagrante-delito\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pris\u00e3o em flagrante delito<\/a>.<\/p>\n<h2>FAQ: Qual \u00e9 a pena prevista para o latroc\u00ednio no Brasil?<\/h2>\n<p>O artigo 157, \u00a7 3\u00ba, inciso II, do C\u00f3digo Penal prev\u00ea pena de <strong>reclus\u00e3o de 20 a 30 anos<\/strong> para o latroc\u00ednio consumado. Trata-se de uma das san\u00e7\u00f5es mais elevadas do ordenamento jur\u00eddico brasileiro, superior inclusive \u00e0 pena m\u00ednima do homic\u00eddio qualificado (12 anos) e compar\u00e1vel apenas \u00e0 do crime de genoc\u00eddio e de algumas modalidades de terrorismo. A tentativa \u00e9 punida com a mesma pena, reduzida de um a dois ter\u00e7os, conforme o artigo 14, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<h2>FAQ: Se a v\u00edtima sobrevive ao roubo, ainda pode ser latroc\u00ednio?<\/h2>\n<p>Depende da configura\u00e7\u00e3o f\u00e1tica. Se o agente pratica o roubo com viol\u00eancia e a v\u00edtima morre em decorr\u00eancia dessa viol\u00eancia, h\u00e1 latroc\u00ednio consumado \u2014 independentemente de a subtra\u00e7\u00e3o ter sido bem-sucedida ou n\u00e3o. Se a v\u00edtima sobrevive \u00e0s les\u00f5es e o roubo se consuma, configura-se roubo qualificado pela les\u00e3o grave (art. 157, \u00a7 3\u00ba, inciso I), n\u00e3o latroc\u00ednio. A <strong>morte da v\u00edtima<\/strong> \u00e9 elemento essencial para a tipifica\u00e7\u00e3o do latroc\u00ednio. A sobreviv\u00eancia, ainda que com sequelas grav\u00edssimas, afasta essa classifica\u00e7\u00e3o e enquadra o crime na modalidade de roubo qualificado pela les\u00e3o corporal grave ou grav\u00edssima.<\/p>\n<h2>FAQ: A S\u00famula 603 do STF pode ser alterada ou cancelada?<\/h2>\n<p>Tecnicamente, sim. O Regimento Interno do STF prev\u00ea procedimentos para o cancelamento ou revis\u00e3o de enunciados sumulares. O cancelamento pode ser provocado por proposta de qualquer Ministro e exige delibera\u00e7\u00e3o do Plen\u00e1rio. No entanto, a <strong>S\u00famula 603<\/strong> permanece em vigor h\u00e1 d\u00e9cadas e n\u00e3o h\u00e1, no momento, processo formal de revis\u00e3o em curso no Tribunal. Uma mudan\u00e7a mais profunda, que transferisse o latroc\u00ednio ao J\u00fari, provavelmente exigiria tamb\u00e9m uma emenda constitucional para modificar o artigo 5\u00ba, XXXVIII, da CF\/88, ampliando o conceito de crimes dolosos contra a vida ou substituindo-o por crit\u00e9rio diverso.<\/p>\n<h2>FAQ: Qual a diferen\u00e7a entre latroc\u00ednio e homic\u00eddio qualificado para fins de compet\u00eancia?<\/h2>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. O <strong>homic\u00eddio qualificado<\/strong> (art. 121, \u00a7 2\u00ba, do CP) \u00e9 um crime doloso contra a vida, julgado pelo Tribunal do J\u00fari. O dolo do agente \u00e9 voltado primariamente \u00e0 morte da v\u00edtima, e as qualificadoras (motivo torpe, meio cruel, emboscada etc.) apenas agravam a pena. O <strong>latroc\u00ednio<\/strong>, por sua vez, \u00e9 um crime contra o patrim\u00f4nio em que a morte resulta da viol\u00eancia empregada na subtra\u00e7\u00e3o \u2014 o dolo prim\u00e1rio \u00e9 patrimonial. Para fins de compet\u00eancia, o crit\u00e9rio determinante \u00e9 o <strong>bem jur\u00eddico principal tutelado<\/strong> e a dire\u00e7\u00e3o do dolo do agente: se voltado \u00e0 vida, o julgamento cabe ao J\u00fari; se voltado ao patrim\u00f4nio, ao juiz singular.<\/p>\n<h2>FAQ: O r\u00e9u em processo de latroc\u00ednio tem direito a julgamento por seus pares?<\/h2>\n<p>N\u00e3o, no modelo jur\u00eddico brasileiro vigente. O direito ao julgamento pelos pares \u2014 express\u00e3o do princ\u00edpio democr\u00e1tico no processo penal \u2014 est\u00e1 constitucionalmente reservado aos crimes dolosos contra a vida. O r\u00e9u acusado de latroc\u00ednio ser\u00e1 julgado por um <strong>juiz togado singular<\/strong>, sem participa\u00e7\u00e3o de jurados. Isso n\u00e3o implica aus\u00eancia de garantias processuais: o acusado tem direito \u00e0 ampla defesa, ao contradit\u00f3rio, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de provas, ao duplo grau de jurisdi\u00e7\u00e3o e a todos os demais direitos assegurados pela Constitui\u00e7\u00e3o e pelo C\u00f3digo de Processo Penal. A <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/o-que-e-defesa-preliminar-no-processo-penal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">defesa preliminar<\/a> e as demais pe\u00e7as processuais s\u00e3o instrumentos essenciais para que esses direitos sejam efetivamente exercidos ao longo de todo o procedimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari e como funciona seu julgamento na justi\u00e7a comum brasileira.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":4382,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4385","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v20.11 (Yoast SEO v20.9) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari - Jo\u00e3o Carlos Pinheiro<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Entenda porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari e como funciona seu julgamento na justi\u00e7a comum brasileira.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Jo\u00e3o Carlos Pinheiro\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/joaocarlospinheiroadv\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-06-25T21:12:50+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/banner-joaoAAp.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1600\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"667\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"adminartemis\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"adminartemis\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"17 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/\"},\"author\":{\"name\":\"adminartemis\",\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#\/schema\/person\/84490dbc314c34f414b927b29b6bf1de\"},\"headline\":\"Porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari\",\"datePublished\":\"2026-06-25T21:12:50+00:00\",\"dateModified\":\"2026-06-25T21:12:50+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/\"},\"wordCount\":3448,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#organization\"},\"articleSection\":[\"Uncategorized\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/\",\"url\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/\",\"name\":\"Porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari - Jo\u00e3o Carlos Pinheiro\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#website\"},\"datePublished\":\"2026-06-25T21:12:50+00:00\",\"dateModified\":\"2026-06-25T21:12:50+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#website\",\"url\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/\",\"name\":\"Advocacia Criminalista | Jo\u00e3o Carlos Pinheiro\",\"description\":\"Advocacia Criminal estrat\u00e9gica. Atua\u00e7\u00e3o pontual em Flagrantes, Tribunal do J\u00fari e defesa de homens acusados pela Lei Maria da Penha\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#organization\"},\"alternateName\":\"Jo\u00e3o Carlos Pinheiro Advogado\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#organization\",\"name\":\"Jo\u00e3o Carlos Pinheiro | Advocacia Criminalista\",\"url\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Copia-de-Joao-Carlos-Logo-Sem-Fundo-Horizontal.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Copia-de-Joao-Carlos-Logo-Sem-Fundo-Horizontal.png\",\"width\":3578,\"height\":965,\"caption\":\"Jo\u00e3o Carlos Pinheiro | Advocacia Criminalista\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/joaocarlospinheiroadv\/\",\"https:\/\/www.instagram.com\/joaocarlospinheiroadv\/\",\"https:\/\/www.youtube.com\/@JooCarlosPinheiro-adv\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#\/schema\/person\/84490dbc314c34f414b927b29b6bf1de\",\"name\":\"adminartemis\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1108a552f2206d5c0ead363c4dcedc21ce07245c33db8f6e1d756d2ce7a0e1eb?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1108a552f2206d5c0ead363c4dcedc21ce07245c33db8f6e1d756d2ce7a0e1eb?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"adminartemis\"},\"url\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/author\/adminartemis\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO Premium plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari - Jo\u00e3o Carlos Pinheiro","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari","og_description":"Entenda porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari e como funciona seu julgamento na justi\u00e7a comum brasileira.","og_url":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/","og_site_name":"Jo\u00e3o Carlos Pinheiro","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/joaocarlospinheiroadv\/","article_published_time":"2026-06-25T21:12:50+00:00","og_image":[{"width":1600,"height":667,"url":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/banner-joaoAAp.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"adminartemis","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"adminartemis","Est. tempo de leitura":"17 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/"},"author":{"name":"adminartemis","@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#\/schema\/person\/84490dbc314c34f414b927b29b6bf1de"},"headline":"Porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari","datePublished":"2026-06-25T21:12:50+00:00","dateModified":"2026-06-25T21:12:50+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/"},"wordCount":3448,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#organization"},"articleSection":["Uncategorized"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/","url":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/","name":"Porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari - Jo\u00e3o Carlos Pinheiro","isPartOf":{"@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#website"},"datePublished":"2026-06-25T21:12:50+00:00","dateModified":"2026-06-25T21:12:50+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/porque-o-latrocinio-nao-e-julgado-no-tribunal-do-juri\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Porque o latroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 julgado no tribunal do j\u00fari"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#website","url":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/","name":"Advocacia Criminalista | Jo\u00e3o Carlos Pinheiro","description":"Advocacia Criminal estrat\u00e9gica. Atua\u00e7\u00e3o pontual em Flagrantes, Tribunal do J\u00fari e defesa de homens acusados pela Lei Maria da Penha","publisher":{"@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#organization"},"alternateName":"Jo\u00e3o Carlos Pinheiro Advogado","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/?s={search_term_string}"},"query-input":"required name=search_term_string"}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#organization","name":"Jo\u00e3o Carlos Pinheiro | Advocacia Criminalista","url":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Copia-de-Joao-Carlos-Logo-Sem-Fundo-Horizontal.png","contentUrl":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Copia-de-Joao-Carlos-Logo-Sem-Fundo-Horizontal.png","width":3578,"height":965,"caption":"Jo\u00e3o Carlos Pinheiro | Advocacia Criminalista"},"image":{"@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/joaocarlospinheiroadv\/","https:\/\/www.instagram.com\/joaocarlospinheiroadv\/","https:\/\/www.youtube.com\/@JooCarlosPinheiro-adv"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#\/schema\/person\/84490dbc314c34f414b927b29b6bf1de","name":"adminartemis","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1108a552f2206d5c0ead363c4dcedc21ce07245c33db8f6e1d756d2ce7a0e1eb?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1108a552f2206d5c0ead363c4dcedc21ce07245c33db8f6e1d756d2ce7a0e1eb?s=96&d=mm&r=g","caption":"adminartemis"},"url":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/author\/adminartemis\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4385"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4385\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4382"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}