{"id":4341,"date":"2026-06-24T17:06:14","date_gmt":"2026-06-24T20:06:14","guid":{"rendered":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/como-deve-ser-a-prisao-em-flagrante\/"},"modified":"2026-06-24T17:06:14","modified_gmt":"2026-06-24T20:06:14","slug":"como-deve-ser-a-prisao-em-flagrante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/como-deve-ser-a-prisao-em-flagrante\/","title":{"rendered":"Como deve ser a pris\u00e3o em flagrante"},"content":{"rendered":"<p>A pris\u00e3o em flagrante \u00e9 um dos momentos mais cr\u00edticos no processo penal, e saber como deve ser realizada \u00e9 fundamental para proteger seus direitos constitucionais. Diferentemente de outras modalidades de pris\u00e3o, o flagrante segue regras espec\u00edficas estabelecidas pelo C\u00f3digo de Processo Penal, que definem desde o momento exato da abordagem at\u00e9 os procedimentos obrigat\u00f3rios que devem ser observados. Qualquer desvio nessas formalidades pode comprometer a validade da pris\u00e3o e prejudicar toda a a\u00e7\u00e3o penal subsequente.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea ou um familiar \u00e9 abordado em situa\u00e7\u00e3o de flagrante, \u00e9 essencial compreender quais s\u00e3o os direitos que devem ser respeitados e quais procedimentos o agente de pol\u00edcia \u00e9 obrigado a cumprir. Muitas vezes, pris\u00f5es s\u00e3o realizadas de forma irregular, sem observ\u00e2ncia das garantias processuais m\u00ednimas, o que abre caminho para a impugna\u00e7\u00e3o da medida. A audi\u00eancia de cust\u00f3dia, por exemplo, \u00e9 um direito que surge imediatamente ap\u00f3s o flagrante e representa a oportunidade de questionar a legalidade da pris\u00e3o perante um juiz.<\/p>\n<p>Compreender esses detalhes t\u00e9cnicos e procedimentais \u00e9 o primeiro passo para uma defesa eficaz desde o in\u00edcio do processo penal.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 pris\u00e3o em flagrante: defini\u00e7\u00e3o e conceito legal<\/h2>\n<p>A pris\u00e3o em flagrante consiste na captura de uma pessoa no momento exato em que comete um crime ou imediatamente ap\u00f3s sua consuma\u00e7\u00e3o, dispensando mandado judicial pr\u00e9vio. Prevista no <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del3689.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo 302 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP)<\/a>, fundamenta-se no direito constitucional de leg\u00edtima defesa e prote\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Distingue-se das demais modalidades pela sua imediatidade e dispensa de formalidades antecedentes. Enquanto a pris\u00e3o preventiva exige decis\u00e3o judicial fundamentada e a tempor\u00e1ria necessita de decreto escrito, a pris\u00e3o em flagrante ocorre pela a\u00e7\u00e3o direta de qualquer pessoa, especialmente agentes de seguran\u00e7a, que presenciam a infra\u00e7\u00e3o em curso ou identificam o autor momentos ap\u00f3s sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O conceito legal vincula-se intrinsecamente \u00e0 <strong>contemporaneidade<\/strong> entre a a\u00e7\u00e3o delitiva e a captura. N\u00e3o se trata simplesmente de prender algu\u00e9m suspeito, mas de captur\u00e1-lo em circunst\u00e2ncias que comprovem, de forma inequ\u00edvoca, sua participa\u00e7\u00e3o no delito. Essa caracter\u00edstica \u00e9 fundamental para a <a href=\"https:\/\/www.tjdft.jus.br\/institucional\/imprensa\/campanhas-e-produtos\/direito-facil\/edicao-semanal\/tipos-de-flagrante\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">validade jur\u00eddica do ato<\/a> e para a prote\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais do investigado.<\/p>\n<h2>Requisitos essenciais para uma pris\u00e3o em flagrante v\u00e1lida<\/h2>\n<p>Para que uma pris\u00e3o em flagrante seja considerada v\u00e1lida e legalmente sustent\u00e1vel, \u00e9 necess\u00e1rio o preenchimento de requisitos espec\u00edficos estabelecidos pela <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del3689.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">legisla\u00e7\u00e3o processual penal<\/a>. A aus\u00eancia de qualquer elemento pode comprometer toda a pris\u00e3o, tornando-a abusiva e pass\u00edvel de contesta\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<h3>Flagrante pr\u00f3prio: crime cometido no momento<\/h3>\n<p>O flagrante pr\u00f3prio ocorre quando a pessoa \u00e9 capturada enquanto pratica o delito ou nos instantes imediatamente posteriores \u00e0 sua consuma\u00e7\u00e3o. Trata-se da forma mais clara e inequ\u00edvoca de flagr\u00e2ncia, sem margem para d\u00favidas quanto \u00e0 contemporaneidade entre a a\u00e7\u00e3o criminosa e a pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas incluem: deter algu\u00e9m durante um roubo em loja, capturar um indiv\u00edduo logo ap\u00f3s agredir outro, ou prender algu\u00e9m portando drogas para comercializa\u00e7\u00e3o. Nessas circunst\u00e2ncias, a evid\u00eancia da pr\u00e1tica delitiva \u00e9 praticamente irrefut\u00e1vel, e a pris\u00e3o encontra amparo legal imediato.<\/p>\n<p>Essa modalidade \u00e9 a mais comum e menos controvertida, pois dispensa an\u00e1lises complexas sobre a temporalidade entre o crime e a captura. Quando h\u00e1 testemunhas, registros de c\u00e2meras ou outros meios probat\u00f3rios que comprovem a a\u00e7\u00e3o em tempo real, a defesa t\u00e9cnica do preso torna-se mais desafiadora, embora n\u00e3o menos necess\u00e1ria.<\/p>\n<h3>Flagrante impr\u00f3prio: persegui\u00e7\u00e3o imediata do suspeito<\/h3>\n<p>O flagrante impr\u00f3prio, tamb\u00e9m denominado quase-pr\u00f3prio, ocorre quando o suspeito \u00e9 capturado logo ap\u00f3s abandonar o local do crime, em persegui\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. Diferencia-se do pr\u00f3prio porque o delito j\u00e1 foi consumado, mas a captura permanece t\u00e3o pr\u00f3xima temporalmente que a conex\u00e3o entre a a\u00e7\u00e3o e a pris\u00e3o se mant\u00e9m evidente.<\/p>\n<p>A jurisprud\u00eancia aceita essa modalidade quando h\u00e1 persegui\u00e7\u00e3o ininterrupta do suspeito. Por exemplo: uma pessoa furta uma loja, sai correndo, e a pol\u00edcia a alcan\u00e7a dois quarteir\u00f5es adiante, ainda portando o objeto furtado ou identificada por testemunhas como autora.<\/p>\n<p>O ponto cr\u00edtico \u00e9 a <strong>imediatidade relativa<\/strong>. N\u00e3o existe intervalo de tempo rigorosamente definido, mas a jurisprud\u00eancia considera razo\u00e1vel uma persegui\u00e7\u00e3o que se estenda por minutos, desde que ininterrupta e que mantenha clara a conex\u00e3o entre o delito e o capturado. Intervalos prolongados ou interrup\u00e7\u00f5es na persegui\u00e7\u00e3o podem descaracterizar o flagrante.<\/p>\n<h3>Flagrante preparado e flagrante presumido<\/h3>\n<p>O flagrante preparado \u00e9 aquele em que autoridades policiais, com conhecimento pr\u00e9vio de que um delito ser\u00e1 cometido, deixam que a infra\u00e7\u00e3o ocorra para prender o autor em flagr\u00e2ncia. A quest\u00e3o jur\u00eddica central refere-se aos limites da atua\u00e7\u00e3o policial: at\u00e9 que ponto a pol\u00edcia pode permitir a consuma\u00e7\u00e3o de um crime para obter uma pris\u00e3o mais segura?<\/p>\n<p>A jurisprud\u00eancia brasileira reconhece essa modalidade como v\u00e1lida, desde que n\u00e3o haja <strong>indu\u00e7\u00e3o ou provoca\u00e7\u00e3o<\/strong> da a\u00e7\u00e3o criminosa. Se a pol\u00edcia apenas aguarda e presencia a consuma\u00e7\u00e3o do delito j\u00e1 planejado pelo suspeito, a pris\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima. Por\u00e9m, se agentes instigam, facilitam ou provocam a pr\u00e1tica do crime, configura-se abuso de autoridade e a pris\u00e3o pode ser invalidada.<\/p>\n<p>O flagrante presumido refere-se a situa\u00e7\u00f5es em que a lei presume a flagr\u00e2ncia sem exigir que o crime tenha sido presenciado. Exemplos incluem encontrar algu\u00e9m em posse de objeto roubado ou furtado logo ap\u00f3s o delito, ou prender algu\u00e9m portando drogas em quantidade que sugira tr\u00e1fico. Nesses casos, a legisla\u00e7\u00e3o presume a flagr\u00e2ncia pela circunst\u00e2ncia de fato, sem necessidade de testemunha ocular.<\/p>\n<h2>Procedimento correto: as 6 fases da pris\u00e3o em flagrante<\/h2>\n<p>A pris\u00e3o em flagrante, embora dispense mandado judicial pr\u00e9vio, n\u00e3o \u00e9 procedimento sem regulamenta\u00e7\u00e3o legal. Existem fases obrigat\u00f3rias que devem ser observadas para que a pris\u00e3o seja v\u00e1lida e para que os direitos fundamentais do preso sejam respeitados. O desrespeito a qualquer dessas fases pode ensejar a nulidade do ato.<\/p>\n<h3>Fase 1: Abordagem e identifica\u00e7\u00e3o do suspeito<\/h3>\n<p>A primeira fase consiste na abordagem do suspeito e sua identifica\u00e7\u00e3o adequada. Neste momento, o agente respons\u00e1vel deve ter clareza quanto \u00e0 identidade do indiv\u00edduo e sua conex\u00e3o com o delito em quest\u00e3o. A abordagem deve ser realizada de forma respeitosa, sem viol\u00eancia desnecess\u00e1ria ou constrangimento abusivo.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental que a identifica\u00e7\u00e3o seja precisa. Prender a pessoa errada, mesmo em situa\u00e7\u00e3o de flagr\u00e2ncia, configura pris\u00e3o ilegal. Agentes de seguran\u00e7a devem verificar documentos, solicitar informa\u00e7\u00f5es pessoais e, quando poss\u00edvel, confrontar o suspeito com testemunhas para confirmar que se trata realmente de quem cometeu o delito.<\/p>\n<p>Durante a abordagem, o suspeito pode ser revistado para localiza\u00e7\u00e3o de armas ou objetos relacionados ao crime. Essa revista deve ocorrer dentro dos limites legais, sem excessos ou constrangimento desnecess\u00e1rio. Qualquer objeto encontrado deve ser documentado e preservado como poss\u00edvel prova.<\/p>\n<h3>Fase 2: Comunica\u00e7\u00e3o dos direitos constitucionais<\/h3>\n<p>Imediatamente ap\u00f3s a abordagem, o preso deve ser informado de seus direitos constitucionais. Essa comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria e n\u00e3o pode ser negligenciada. O artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e o C\u00f3digo de Processo Penal estabelecem que todo preso deve ser informado de seus direitos, incluindo o direito ao sil\u00eancio, o direito a advogado e o direito de comunica\u00e7\u00e3o com familiares.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o deve ser clara e compreens\u00edvel. N\u00e3o basta mencionar formalmente que o preso possui direitos; \u00e9 necess\u00e1rio que ele realmente entenda o significado de cada um. Agentes de pol\u00edcia devem utilizar linguagem acess\u00edvel e, quando necess\u00e1rio, contar com int\u00e9rprete para garantir a compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>O direito ao sil\u00eancio \u00e9 particularmente importante. O preso deve ser explicitamente informado de que pode recusar-se a responder perguntas e que esse sil\u00eancio n\u00e3o pode ser utilizado contra ele como prova de culpabilidade. Qualquer confiss\u00e3o obtida ap\u00f3s viola\u00e7\u00e3o desse direito \u00e9 considerada nula e inadmiss\u00edvel em ju\u00edzo.<\/p>\n<h3>Fase 3: Condu\u00e7\u00e3o \u00e0 delegacia de pol\u00edcia<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s a abordagem e comunica\u00e7\u00e3o dos direitos, o preso deve ser conduzido \u00e0 delegacia de forma segura e respeitosa. O trajeto deve ser realizado sem demoras desnecess\u00e1rias, e o preso tem direito a ser tratado com dignidade durante o transporte.<\/p>\n<p>Durante a condu\u00e7\u00e3o, o preso pode ser acompanhado por familiares ou advogado, se assim desejar. N\u00e3o \u00e9 permitido isolar completamente o preso do contato externo. Se o preso solicitar a presen\u00e7a de um advogado, essa solicita\u00e7\u00e3o deve ser respeitada, e a condu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser utilizada como pretexto para impedir o acesso \u00e0 assist\u00eancia jur\u00eddica.<\/p>\n<p>A dura\u00e7\u00e3o do trajeto deve ser razo\u00e1vel. Levar o preso de forma desnecessariamente lenta ou por caminhos alternativos pode configurar constrangimento ilegal. O procedimento deve ser eficiente, visando chegar \u00e0 delegacia no menor tempo poss\u00edvel, mantendo a seguran\u00e7a do preso e dos agentes envolvidos.<\/p>\n<h3>Fase 4: Registro da ocorr\u00eancia e lavratura do auto<\/h3>\n<p>Na delegacia, deve ser registrada a ocorr\u00eancia do delito e lavrado o <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/artigos\/as-6-fases-da-prisao-em-flagrante\/321036465\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">auto de pris\u00e3o em flagrante<\/a>. Este documento \u00e9 fundamental, pois formaliza juridicamente a pris\u00e3o e estabelece os fatos que a justificam. O auto deve conter informa\u00e7\u00f5es precisas sobre o crime, o suspeito, as circunst\u00e2ncias da captura e as provas coletadas.<\/p>\n<p>O documento deve descrever de forma clara e objetiva: data, hora e local do delito; descri\u00e7\u00e3o do crime; identifica\u00e7\u00e3o completa do preso; circunst\u00e2ncias em que foi capturado; nomes de testemunhas; e descri\u00e7\u00e3o de objetos apreendidos. Omiss\u00f5es ou imprecis\u00f5es podem prejudicar a validade da pris\u00e3o.<\/p>\n<p>O preso tem direito de ser ouvido durante a lavratura do auto. Ele pode fazer declara\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o registradas no documento. \u00c9 importante que o preso, ou seu advogado, revise o auto para identificar qualquer imprecis\u00e3o ou viola\u00e7\u00e3o de direitos que deva ser documentada. Essas observa\u00e7\u00f5es podem ser fundamentais para a defesa posterior.<\/p>\n<h3>Fase 5: Comunica\u00e7\u00e3o ao juiz em at\u00e9 24 horas<\/h3>\n<p>Uma das obriga\u00e7\u00f5es mais importantes do Estado ap\u00f3s uma <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/manualdecomunicacao\/guia-juridico\/prisao-em-flagrante\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pris\u00e3o em flagrante<\/a> \u00e9 comunicar o fato ao juiz competente em at\u00e9 24 horas. Esta comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 meramente formal; marca o ponto em que a pris\u00e3o deixa de ser medida emergencial e passa a ser submetida ao controle judicial.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o ao juiz deve incluir c\u00f3pia do auto de pris\u00e3o em flagrante e informa\u00e7\u00f5es sobre o preso, permitindo que o magistrado analise a legalidade do ato. A falha em comunicar o juiz no prazo estabelecido pode resultar na soltura autom\u00e1tica do preso, pois a pris\u00e3o se torna ileg\u00edtima quando n\u00e3o submetida ao controle jurisdicional dentro do prazo legal.<\/p>\n<p>Essa comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para garantir que a pris\u00e3o n\u00e3o se converta em deten\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria. O juiz, ao receber a comunica\u00e7\u00e3o, tem a responsabilidade de avaliar se os requisitos legais foram preenchidos e se \u00e9 necess\u00e1rio manter o preso detido ou conceder sua liberdade.<\/p>\n<h3>Fase 6: Apresenta\u00e7\u00e3o ao juiz e audi\u00eancia de cust\u00f3dia<\/h3>\n<p>A audi\u00eancia de cust\u00f3dia \u00e9 a oportunidade formal em que o preso \u00e9 apresentado ao juiz para que este avalie a legalidade e a necessidade da pris\u00e3o. Conforme regulamenta\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), essa audi\u00eancia deve ocorrer em at\u00e9 24 horas ap\u00f3s a captura.<\/p>\n<p>Durante a audi\u00eancia, o juiz ouve o preso, toma conhecimento de suas alega\u00e7\u00f5es, examina as provas coletadas e decide se a pris\u00e3o deve ser mantida ou se o preso deve ser solto. O preso tem direito a estar acompanhado de advogado neste momento, e \u00e9 fundamental que a defesa t\u00e9cnica qualificada esteja presente para apresentar argumentos contra a manuten\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa audi\u00eancia \u00e9 um momento cr\u00edtico para a defesa. \u00c9 nela que o advogado pode questionar a legalidade da pris\u00e3o, apresentar provas de inoc\u00eancia ou circunst\u00e2ncias atenuantes, e requerer a liberdade do cliente. Uma defesa bem estruturada nesta fase pode resultar na soltura imediata do preso, evitando meses de encarceramento preventivo.<\/p>\n<h2>Prazos legais obrigat\u00f3rios na pris\u00e3o em flagrante<\/h2>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o processual penal brasileira estabelece prazos rigorosos que devem ser observados em qualquer pris\u00e3o em flagrante. O desrespeito a esses prazos configura viola\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais e pode resultar na invalida\u00e7\u00e3o de toda a pris\u00e3o.<\/p>\n<h3>Prazo de 24 horas para comunica\u00e7\u00e3o ao juiz competente<\/h3>\n<p>O artigo 306 do <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del3689.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo de Processo Penal<\/a> estabelece que a autoridade policial deve comunicar ao juiz competente a pris\u00e3o em flagrante no prazo m\u00e1ximo de 24 horas. Trata-se de prazo perempt\u00f3rio, ou seja, sua n\u00e3o observ\u00e2ncia gera consequ\u00eancias legais autom\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A contagem inicia-se no momento da pris\u00e3o. Se um indiv\u00edduo \u00e9 capturado \u00e0s 14h de segunda-feira, a comunica\u00e7\u00e3o ao juiz deve ser feita at\u00e9 as 14h de ter\u00e7a-feira. O n\u00e3o cumprimento deste prazo pode resultar na soltura autom\u00e1tica do preso, pois a pris\u00e3o deixa de ter amparo legal quando n\u00e3o submetida ao controle jurisdicional no tempo estabelecido.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, muitas delegacias negligenciam este prazo, mantendo presos al\u00e9m do per\u00edodo legal. Quando isso ocorre, a defesa t\u00e9cnica deve requerer imediatamente a soltura do cliente, argumentando que a pris\u00e3o se tornou ileg\u00edtima pelo desrespeito ao prazo legal. Essa \u00e9 uma das estrat\u00e9gias mais eficazes de defesa em flagr\u00e2ncia.<\/p>\n<h3>Prazo para audi\u00eancia de cust\u00f3dia conforme CNJ<\/h3>\n<p>O Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), atrav\u00e9s da <a href=\"https:\/\/atos.cnj.jus.br\/atos\/detalhar\/2234\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 65\/2008<\/a>, estabelece que a audi\u00eancia de cust\u00f3dia deve ocorrer em at\u00e9 24 horas ap\u00f3s a pris\u00e3o. Este prazo \u00e9 fundamental para garantir que o preso seja apresentado ao juiz sem demoras desnecess\u00e1rias.<\/p>\n<p>A audi\u00eancia de cust\u00f3dia n\u00e3o pode ser adiada arbitrariamente. Se o juiz n\u00e3o conseguir realizar a audi\u00eancia no prazo estabelecido, o preso deve ser solto automaticamente, pois a manuten\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o sem apresenta\u00e7\u00e3o ao magistrado viola direitos fundamentais. Essa \u00e9 uma prote<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda como deve ser a pris\u00e3o em flagrante, os direitos constitucionais garantidos e os procedimentos obrigat\u00f3rios que protegem sua defesa.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":4335,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4341","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v20.11 (Yoast SEO v20.9) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Como deve ser a pris\u00e3o em flagrante - Jo\u00e3o Carlos Pinheiro<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/como-deve-ser-a-prisao-em-flagrante\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Como deve ser a pris\u00e3o em flagrante\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Entenda como deve ser a pris\u00e3o em flagrante, os direitos constitucionais garantidos e os procedimentos obrigat\u00f3rios que protegem sua defesa.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/como-deve-ser-a-prisao-em-flagrante\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Jo\u00e3o Carlos Pinheiro\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/joaocarlospinheiroadv\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-06-24T20:06:14+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/banner-joaoAAp.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1600\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"667\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"adminartemis\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"adminartemis\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"12 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/como-deve-ser-a-prisao-em-flagrante\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/como-deve-ser-a-prisao-em-flagrante\/\"},\"author\":{\"name\":\"adminartemis\",\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#\/schema\/person\/84490dbc314c34f414b927b29b6bf1de\"},\"headline\":\"Como deve ser a pris\u00e3o em flagrante\",\"datePublished\":\"2026-06-24T20:06:14+00:00\",\"dateModified\":\"2026-06-24T20:06:14+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/como-deve-ser-a-prisao-em-flagrante\/\"},\"wordCount\":2420,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/#organization\"},\"articleSection\":[\"Uncategorized\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/como-deve-ser-a-prisao-em-flagrante\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/como-deve-ser-a-prisao-em-flagrante\/\",\"url\":\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/como-deve-ser-a-prisao-em-flagrante\/\",\"name\":\"Como deve ser a pris\u00e3o em flagrante - 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