{"id":4134,"date":"2026-04-13T19:30:00","date_gmt":"2026-04-13T22:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/indulto-processo-penal\/"},"modified":"2026-04-13T19:30:12","modified_gmt":"2026-04-13T22:30:12","slug":"indulto-processo-penal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/indulto-processo-penal\/","title":{"rendered":"Indulto no processo penal: o que \u00e9 e como funciona"},"content":{"rendered":"<p>O indulto \u00e9 uma forma de extin\u00e7\u00e3o da punibilidade concedida pelo Presidente da Rep\u00fablica que perdoa total ou parcialmente a pena de condenados que preencham determinados requisitos. No processo penal, ele representa uma das formas mais expressivas de clem\u00eancia estatal, com ra\u00edzes hist\u00f3ricas profundas e aplica\u00e7\u00e3o regulada pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal e pelo C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p>Para quem est\u00e1 cumprindo pena ou acompanha um processo de execu\u00e7\u00e3o penal, entender como esse benef\u00edcio funciona \u00e9 essencial. Nem todo condenado tem direito ao indulto, e h\u00e1 crimes expressamente vedados de receb\u00ea-lo. Al\u00e9m disso, o procedimento para reconhecimento do benef\u00edcio envolve o Ju\u00edzo da Execu\u00e7\u00e3o Penal e exige aten\u00e7\u00e3o a requisitos objetivos e subjetivos definidos em decreto presidencial.<\/p>\n<p>Este artigo explica o conceito jur\u00eddico do indulto, suas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gra\u00e7a e \u00e0 anistia, os requisitos exigidos, o procedimento de reconhecimento e os efeitos que decorrem da sua concess\u00e3o. Se voc\u00ea ou algu\u00e9m pr\u00f3ximo est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de cumprimento de pena, as informa\u00e7\u00f5es aqui apresentadas podem ajudar a identificar possibilidades reais de defesa e benef\u00edcios aplic\u00e1veis ao caso.<\/p>\n<h2>Qual \u00e9 o conceito jur\u00eddico de indulto no Direito Penal?<\/h2>\n<p>O indulto \u00e9 uma causa extintiva da punibilidade prevista no artigo 107, inciso II, do C\u00f3digo Penal. Trata-se de um ato de clem\u00eancia do Estado, exercido pelo Presidente da Rep\u00fablica mediante decreto, que perdoa a pena imposta ao condenado, de forma total ou parcial.<\/p>\n<p>Quando o perd\u00e3o \u00e9 total, a pena \u00e9 completamente extinta. Quando \u00e9 parcial, ocorre a chamada comuta\u00e7\u00e3o, que reduz a pena remanescente. Em ambos os casos, o benef\u00edcio n\u00e3o apaga a condena\u00e7\u00e3o, ou seja, a senten\u00e7a condenat\u00f3ria continua existindo para todos os fins legais, como reincid\u00eancia.<\/p>\n<p>Do ponto de vista constitucional, a compet\u00eancia para conceder o indulto pertence privativamente ao Presidente da Rep\u00fablica, conforme o artigo 84, inciso XII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Na pr\u00e1tica, o Presidente edita um decreto anual, geralmente no fim do ano, estabelecendo os crit\u00e9rios objetivos e subjetivos que o condenado precisa preencher para ser beneficiado.<\/p>\n<p>O indulto pode ser <strong>coletivo<\/strong>, quando atinge uma categoria ampla de condenados que satisfa\u00e7am os requisitos do decreto, ou <strong>individual<\/strong>, quando concedido a uma pessoa determinada por ato espec\u00edfico. A modalidade coletiva \u00e9 a mais comum e de maior impacto pr\u00e1tico na execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que o indulto n\u00e3o se confunde com absolvi\u00e7\u00e3o. O condenado que recebe o benef\u00edcio foi julgado e teve sua culpabilidade reconhecida. O que se extingue \u00e9 a pena, n\u00e3o a responsabilidade penal reconhecida na senten\u00e7a.<\/p>\n<h2>Quais as diferen\u00e7as entre indulto, gra\u00e7a e anistia?<\/h2>\n<p>Indulto, gra\u00e7a e anistia s\u00e3o institutos distintos, embora todos representem formas de clem\u00eancia estatal no campo penal. Confundi-los \u00e9 um erro comum, mas as diferen\u00e7as entre eles t\u00eam consequ\u00eancias jur\u00eddicas relevantes.<\/p>\n<p>A <strong>anistia<\/strong> \u00e9 concedida pelo Congresso Nacional mediante lei e tem natureza mais ampla. Ela apaga o pr\u00f3prio crime, extinguindo n\u00e3o apenas a pena, mas todos os efeitos penais da condena\u00e7\u00e3o, inclusive para fins de reincid\u00eancia. A anistia pode alcan\u00e7ar fatos ainda n\u00e3o julgados ou j\u00e1 com condena\u00e7\u00e3o transitada em julgado.<\/p>\n<p>A <strong>gra\u00e7a<\/strong> \u00e9 um perd\u00e3o individual, concedido pelo Presidente da Rep\u00fablica a pedido do pr\u00f3prio condenado, de terceiro ou de entidade. Diferentemente do indulto coletivo, a gra\u00e7a \u00e9 direcionada a uma pessoa espec\u00edfica e depende de requerimento formal. Ela extingue a pena, mas n\u00e3o elimina os efeitos secund\u00e1rios da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O <strong>indulto<\/strong>, por sua vez, \u00e9 coletivo por natureza, embora tamb\u00e9m possa ter forma individual. Ele n\u00e3o exige requerimento do condenado para produzir efeitos e opera automaticamente para quem preenche os requisitos do decreto presidencial. N\u00e3o apaga o crime nem os efeitos da condena\u00e7\u00e3o, apenas extingue a pena.<\/p>\n<p>Veja um resumo comparativo:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Anistia:<\/strong> concedida pelo Congresso, apaga o crime, efeitos amplos<\/li>\n<li><strong>Gra\u00e7a:<\/strong> individual, por decreto presidencial, depende de pedido, extingue a pena<\/li>\n<li><strong>Indulto:<\/strong> coletivo ou individual, por decreto presidencial, independe de pedido, extingue a pena<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Como distinguir o indulto da comuta\u00e7\u00e3o de penas?<\/h3>\n<p>A comuta\u00e7\u00e3o de penas \u00e9 frequentemente tratada como modalidade do pr\u00f3prio indulto, mas representa um benef\u00edcio distinto em seus efeitos. Enquanto o indulto extingue integralmente a pena restante, a comuta\u00e7\u00e3o apenas a reduz ou substitui por outra menos gravosa.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, um decreto presidencial pode prever, ao mesmo tempo, o indulto total para condenados que preencham determinados requisitos mais r\u00edgidos e a comuta\u00e7\u00e3o para aqueles que atendam a condi\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias. O condenado que n\u00e3o preenche os requisitos para o perd\u00e3o completo pode ainda se beneficiar da redu\u00e7\u00e3o de pena.<\/p>\n<p>A comuta\u00e7\u00e3o pode operar de formas diferentes. Pode reduzir o tempo restante de pena por uma fra\u00e7\u00e3o determinada no decreto, ou substituir a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, desde que o decreto assim estabele\u00e7a e o condenado preencha os crit\u00e9rios.<\/p>\n<p>Um ponto relevante para a <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/advogado-de-defesa-criminal-o-que-fazer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">defesa criminal<\/a> \u00e9 que tanto o indulto quanto a comuta\u00e7\u00e3o precisam ser reconhecidos pelo Ju\u00edzo da Execu\u00e7\u00e3o Penal. Mesmo que o condenado preencha todos os requisitos, o benef\u00edcio n\u00e3o opera de forma autom\u00e1tica sem a declara\u00e7\u00e3o judicial, o que torna o acompanhamento jur\u00eddico indispens\u00e1vel nessa fase.<\/p>\n<h2>Quais s\u00e3o os requisitos para a concess\u00e3o do indulto?<\/h2>\n<p>Os requisitos para a concess\u00e3o do indulto s\u00e3o definidos pelo decreto presidencial editado a cada per\u00edodo. N\u00e3o h\u00e1 uma lista fixa e imut\u00e1vel, pois cada decreto pode estabelecer condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de acordo com a pol\u00edtica criminal vigente. No entanto, alguns requisitos se repetem com frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Entre os requisitos objetivos mais comuns est\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Cumprimento de fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima da pena (que varia conforme o decreto e o tipo de crime)<\/li>\n<li>N\u00e3o estar cumprindo pena por crimes expressamente exclu\u00eddos do benef\u00edcio<\/li>\n<li>Ter pena igual ou inferior a determinado limite fixado no decreto<\/li>\n<li>Estar em regime aberto ou semiaberto, em alguns casos<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m dos requisitos objetivos, os decretos tamb\u00e9m podem prever requisitos subjetivos, como:<\/p>\n<ul>\n<li>Bom comportamento carcer\u00e1rio, atestado pela dire\u00e7\u00e3o do estabelecimento penal<\/li>\n<li>N\u00e3o ter praticado falta grave em determinado per\u00edodo anterior ao benef\u00edcio<\/li>\n<li>Estar trabalhando ou estudando regularmente<\/li>\n<\/ul>\n<p>A an\u00e1lise de cada caso exige aten\u00e7\u00e3o ao decreto vigente no momento do pedido e \u00e0s circunst\u00e2ncias individuais do condenado. Uma leitura equivocada dos requisitos pode levar tanto \u00e0 perda de um benef\u00edcio cab\u00edvel quanto a um pedido indevido que gera expectativas frustradas.<\/p>\n<p>Vale lembrar que a condena\u00e7\u00e3o precisa ter transitado em julgado para que o indulto seja aplic\u00e1vel. Decis\u00f5es ainda sujeitas a recursos n\u00e3o s\u00e3o alcan\u00e7adas pelo benef\u00edcio.<\/p>\n<h3>Quem tem direito ao indulto coletivo e individual?<\/h3>\n<p>O indulto coletivo beneficia todos os condenados que preencham os requisitos estabelecidos no decreto presidencial, independentemente de requerimento. Basta que a pessoa esteja cumprindo pena e satisfa\u00e7a as condi\u00e7\u00f5es previstas, como o cumprimento de fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima, bom comportamento e aus\u00eancia de condena\u00e7\u00e3o por crimes vedados.<\/p>\n<p>O indulto individual, por outro lado, \u00e9 concedido por ato espec\u00edfico do Presidente da Rep\u00fablica a uma pessoa determinada. Esse tipo de benef\u00edcio depende de pedido formal e \u00e9 mais raro na pr\u00e1tica. Historicamente, \u00e9 utilizado em situa\u00e7\u00f5es de maior como\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou em casos com particularidades humanit\u00e1rias relevantes.<\/p>\n<p>Para o indulto coletivo, grupos espec\u00edficos podem receber tratamento diferenciado no decreto. \u00c9 comum que decretos prevejam condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para idosos, pessoas com doen\u00e7as graves, gestantes, m\u00e3es de filhos menores ou com defici\u00eancia e condenados por crimes de menor potencial ofensivo.<\/p>\n<p>Pessoas presas provisoriamente, ou seja, que ainda aguardam julgamento sem condena\u00e7\u00e3o definitiva, em regra n\u00e3o s\u00e3o alcan\u00e7adas pelo indulto. O benef\u00edcio pressup\u00f5e senten\u00e7a condenat\u00f3ria com tr\u00e2nsito em julgado. Esse \u00e9 um ponto que merece verifica\u00e7\u00e3o cuidadosa, especialmente em casos onde h\u00e1 recursos pendentes.<\/p>\n<h2>Como funciona o procedimento do indulto no processo penal?<\/h2>\n<p>O procedimento para reconhecimento do indulto tramita perante o Ju\u00edzo da Execu\u00e7\u00e3o Penal, que \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o competente para aplicar o benef\u00edcio ap\u00f3s verificar o preenchimento dos requisitos pelo condenado.<\/p>\n<p>O processo pode ser iniciado de of\u00edcio pelo pr\u00f3prio juiz, pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, pelo defensor do condenado ou pelo pr\u00f3prio apenado. Na pr\u00e1tica, o papel da defesa t\u00e9cnica \u00e9 fundamental para identificar quem preenche os requisitos e provocar o Ju\u00edzo tempestivamente.<\/p>\n<p>O procedimento segue, em linhas gerais, as seguintes etapas:<\/p>\n<ol>\n<li>Verifica\u00e7\u00e3o dos requisitos objetivos a partir dos autos de execu\u00e7\u00e3o penal<\/li>\n<li>Solicita\u00e7\u00e3o de certid\u00e3o de comportamento carcer\u00e1rio \u00e0 unidade prisional<\/li>\n<li>Manifesta\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico sobre o pedido<\/li>\n<li>Decis\u00e3o judicial reconhecendo ou negando o benef\u00edcio<\/li>\n<\/ol>\n<p>Caso o juiz reconhe\u00e7a o indulto total, declara extinta a punibilidade e determina a expedi\u00e7\u00e3o do alvar\u00e1 de soltura. Se reconhecer apenas a comuta\u00e7\u00e3o, recalcula a pena remanescente e ajusta o regime de cumprimento conforme necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>O condenado que tiver o benef\u00edcio negado pode interpor recurso da decis\u00e3o. O instrumento adequado \u00e9 o agravo em execu\u00e7\u00e3o, previsto na Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal. A atua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica nesse recurso pode ser decisiva para reverter uma negativa indevida.<\/p>\n<h3>Qual o papel do Juiz da Execu\u00e7\u00e3o Penal no benef\u00edcio?<\/h3>\n<p>O Juiz da Execu\u00e7\u00e3o Penal \u00e9 o protagonista do procedimento de reconhecimento do indulto. Ele n\u00e3o concede o benef\u00edcio em si, pois essa compet\u00eancia \u00e9 do Presidente da Rep\u00fablica. O papel do juiz \u00e9 verificar se o condenado preenche os requisitos estabelecidos no decreto e declarar extinta a punibilidade quando isso se confirmar.<\/p>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 juridicamente relevante. O decreto presidencial cria o benef\u00edcio de forma abstrata, fixando as condi\u00e7\u00f5es gerais. O juiz, por sua vez, aplica essas condi\u00e7\u00f5es ao caso concreto, analisando os documentos dos autos, o comportamento carcer\u00e1rio e os dados da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o do Ju\u00edzo da Execu\u00e7\u00e3o Penal abrange ainda a fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento das condi\u00e7\u00f5es eventualmente impostas pelo decreto para a manuten\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio. Alguns decretos condicionam a manuten\u00e7\u00e3o do indulto \u00e0 n\u00e3o pr\u00e1tica de novo crime durante determinado per\u00edodo.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/direito-penal-sursis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">acompanhamento jur\u00eddico na fase de execu\u00e7\u00e3o da pena<\/a> \u00e9 essencial para garantir que o condenado seja devidamente informado sobre seus direitos e que eventuais pedidos sejam formalizados com base t\u00e9cnica s\u00f3lida. A aus\u00eancia de defesa nessa fase pode resultar em benef\u00edcios n\u00e3o reconhecidos por simples falta de provoca\u00e7\u00e3o do Ju\u00edzo.<\/p>\n<h2>Quais crimes s\u00e3o proibidos de receber o indulto?<\/h2>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal, no artigo 5\u00ba, inciso XLIII, veda expressamente a concess\u00e3o de gra\u00e7a e anistia a determinadas categorias de crimes. Por interpreta\u00e7\u00e3o extensiva consolidada na doutrina e jurisprud\u00eancia, essa veda\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a tamb\u00e9m o indulto.<\/p>\n<p>Os crimes expressamente exclu\u00eddos pela Constitui\u00e7\u00e3o s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Crimes hediondos<\/li>\n<li>Tr\u00e1fico il\u00edcito de entorpecentes e drogas afins<\/li>\n<li>Terrorismo<\/li>\n<li>Tortura<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m dessas veda\u00e7\u00f5es constitucionais, os pr\u00f3prios decretos presidenciais costumam excluir outros crimes do rol de beneficiados, ampliando as restri\u00e7\u00f5es para al\u00e9m do m\u00ednimo exigido pela Constitui\u00e7\u00e3o. \u00c9 comum que crimes praticados com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a tamb\u00e9m sejam exclu\u00eddos, a depender da pol\u00edtica criminal adotada no decreto vigente.<\/p>\n<p>A verifica\u00e7\u00e3o da natureza do crime pelo qual o condenado cumpre pena \u00e9 o primeiro passo na an\u00e1lise de cabimento do benef\u00edcio. Condenados por crimes hediondos, por exemplo, est\u00e3o automaticamente exclu\u00eddos, independentemente de qualquer outro requisito que possam preencher.<\/p>\n<p>Para quem responde por <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/direito-penal-homicidio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">crimes dolosos contra a vida<\/a>, como o homic\u00eddio doloso qualificado, \u00e9 fundamental verificar se a condena\u00e7\u00e3o envolveu circunst\u00e2ncias que atraem a classifica\u00e7\u00e3o de crime hediondo, pois isso determina a viabilidade ou n\u00e3o do pedido de indulto.<\/p>\n<h3>Por que crimes hediondos e tr\u00e1fico n\u00e3o t\u00eam indulto?<\/h3>\n<p>A veda\u00e7\u00e3o ao indulto para crimes hediondos e tr\u00e1fico de drogas reflete uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do constituinte de 1988. Ao elaborar a Constitui\u00e7\u00e3o, o legislador constituinte entendeu que determinadas infra\u00e7\u00f5es, pela sua gravidade e pelo impacto social que causam, n\u00e3o poderiam ser alcan\u00e7adas por benef\u00edcios que atenuassem ou extinguissem a pena antes do seu cumprimento integral.<\/p>\n<p>A Lei dos Crimes Hediondos, n\u00famero 8.072 de 1990, regulamentou o dispositivo constitucional e elencou os crimes que recebem esse tratamento mais r\u00edgido. Entre eles est\u00e3o o homic\u00eddio doloso qualificado, o latroc\u00ednio, a extors\u00e3o mediante sequestro, o estupro, o estupro de vulner\u00e1vel e o genoc\u00eddio, entre outros.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico de entorpecentes tem veda\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria na Constitui\u00e7\u00e3o, equiparado aos crimes hediondos em termos de tratamento penal. Essa equipara\u00e7\u00e3o foi refor\u00e7ada pelo Supremo Tribunal Federal em diversas decis\u00f5es que reconheceram a validade das restri\u00e7\u00f5es impostas a condenados por esse crime.<\/p>\n<p>Do ponto de vista pr\u00e1tico, o condenado por crime hediondo que pleiteie o indulto ter\u00e1 seu pedido indeferido pelo Ju\u00edzo da Execu\u00e7\u00e3o Penal com base nessa veda\u00e7\u00e3o constitucional. N\u00e3o h\u00e1 decreto presidencial com for\u00e7a normativa suficiente para superar essa proibi\u00e7\u00e3o, pois ela est\u00e1 no texto da pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um aspecto que a <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/interpretacao-analogia-direito-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">interpreta\u00e7\u00e3o das normas penais<\/a> precisa considerar com rigor, especialmente quando h\u00e1 discuss\u00e3o sobre a natureza hedionda ou n\u00e3o de determinado crime imputado ao condenado.<\/p>\n<h2>Quais os efeitos da extin\u00e7\u00e3o da punibilidade pelo indulto?<\/h2>\n<p>Quando o Ju\u00edzo da Execu\u00e7\u00e3o Penal reconhece o indulto e declara extinta a punibilidade, os efeitos s\u00e3o imediatos sobre a pena em execu\u00e7\u00e3o. Se o benef\u00edcio for total, o condenado em regime fechado ou semiaberto deve ser solto imediatamente, mediante expedi\u00e7\u00e3o de alvar\u00e1 de soltura. Se estiver em regime aberto ou cumprindo pena alternativa, as obriga\u00e7\u00f5es cessam na mesma data da decis\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 fundamental compreender o que o indulto <strong>n\u00e3o<\/strong> extingue. Os efeitos secund\u00e1rios da condena\u00e7\u00e3o penal permanecem intactos. Isso significa que:<\/p>\n<ul>\n<li>A condena\u00e7\u00e3o continua constando nos registros para fins de reincid\u00eancia<\/li>\n<li>Eventuais efeitos civis da senten\u00e7a, como a obriga\u00e7\u00e3o de reparar o dano, n\u00e3o s\u00e3o afastados<\/li>\n<li>A perda de cargo p\u00fablico decretada na senten\u00e7a n\u00e3o \u00e9 automaticamente revertida<\/li>\n<li>O nome do condenado n\u00e3o \u00e9 apagado dos sistemas de antecedentes criminais<\/li>\n<\/ul>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o entre extin\u00e7\u00e3o da pena e extin\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o \u00e9 central no direito penal brasileiro. O indulto perdoa o cumprimento da san\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o desfaz o ju\u00edzo de culpabilidade j\u00e1 estabelecido pela senten\u00e7a.<\/p>\n<p>Para quem tem interesse em apagar os registros da condena\u00e7\u00e3o, o caminho adequado \u00e9 a revis\u00e3o criminal, instituto distinto que busca desconstituir a pr\u00f3pria senten\u00e7a condenat\u00f3ria. O indulto e a revis\u00e3o criminal operam em planos diferentes e n\u00e3o se substituem.<\/p>\n<p>Outro ponto relevante diz respeito \u00e0s <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/medidas-assecuratorias-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">medidas assecurat\u00f3rias<\/a> eventualmente decretadas no processo, como sequestro de bens ou bloqueio de valores para repara\u00e7\u00e3o do dano. Essas medidas t\u00eam natureza civil e n\u00e3o s\u00e3o afetadas pela extin\u00e7\u00e3o da punibilidade decorrente do indulto, exigindo tratamento jur\u00eddico pr\u00f3prio e independente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O indulto \u00e9 uma forma de extin\u00e7\u00e3o da punibilidade concedida pelo Presidente da Rep\u00fablica que perdoa total ou parcialmente a pena de condenados que preencham determinados requisitos. No processo penal, ele representa uma das formas mais expressivas de clem\u00eancia estatal, com ra\u00edzes hist\u00f3ricas profundas e aplica\u00e7\u00e3o regulada pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal e pelo C\u00f3digo Penal. 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