{"id":4121,"date":"2026-04-13T14:00:09","date_gmt":"2026-04-13T17:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/procedimento-comum-ordinario-processo-penal\/"},"modified":"2026-04-13T14:00:17","modified_gmt":"2026-04-13T17:00:17","slug":"procedimento-comum-ordinario-processo-penal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/procedimento-comum-ordinario-processo-penal\/","title":{"rendered":"Procedimento Comum Ordin\u00e1rio no Processo Penal"},"content":{"rendered":"<p>O procedimento comum ordin\u00e1rio \u00e9 o rito mais abrangente do processo penal brasileiro. Ele se aplica \u00e0s infra\u00e7\u00f5es penais com pena m\u00e1xima igual ou superior a quatro anos, sendo tamb\u00e9m o modelo base a partir do qual os demais ritos se organizam. Em termos pr\u00e1ticos, \u00e9 o caminho processual percorrido na grande maioria das a\u00e7\u00f5es penais p\u00fablicas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Quem pesquisa sobre esse tema geralmente quer entender como o processo se desenvolve na pr\u00e1tica: quais s\u00e3o as etapas, quais os prazos, o que acontece em cada fase e onde a defesa pode atuar de forma estrat\u00e9gica. S\u00e3o perguntas leg\u00edtimas, seja para quem est\u00e1 sendo investigado ou j\u00e1 figura como r\u00e9u em uma a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n<p>Este post explica o funcionamento do rito ordin\u00e1rio do in\u00edcio ao fim, abordando desde o recebimento da den\u00fancia at\u00e9 a audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento, passando pelas possibilidades de absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria e pelas nulidades mais comuns. O objetivo \u00e9 fornecer uma vis\u00e3o t\u00e9cnica, mas acess\u00edvel, de como esse procedimento funciona na pr\u00e1tica forense.<\/p>\n<h2>Quais crimes seguem o rito ordin\u00e1rio no processo penal?<\/h2>\n<p>O rito ordin\u00e1rio se aplica quando a infra\u00e7\u00e3o penal tiver pena m\u00e1xima <strong>igual ou superior a quatro anos<\/strong>, conforme o artigo 394, par\u00e1grafo primeiro, inciso I, do C\u00f3digo de Processo Penal. Esse crit\u00e9rio \u00e9 objetivo e leva em conta a pena m\u00e1xima abstrata prevista no tipo penal, n\u00e3o a pena que ser\u00e1 eventualmente aplicada ao r\u00e9u.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, s\u00e3o crimes que seguem esse rito, por exemplo: roubo simples, estelionato qualificado, tr\u00e1fico de drogas (quando n\u00e3o h\u00e1 causa de diminui\u00e7\u00e3o que altere a pena m\u00ednima), corrup\u00e7\u00e3o passiva e ativa, furto qualificado, entre muitos outros. A lista \u00e9 extensa justamente porque o crit\u00e9rio \u00e9 baseado em patamar de pena, n\u00e3o em categorias espec\u00edficas de crimes.<\/p>\n<p>Quando um crime possui legisla\u00e7\u00e3o especial com rito pr\u00f3prio, esse rito especial prevalece. O Tribunal do J\u00fari, por exemplo, tem procedimento pr\u00f3prio para os crimes dolosos contra a vida, como o <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/direito-penal-homicidio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">homic\u00eddio doloso<\/a>. A Lei Maria da Penha tamb\u00e9m possui regras procedimentais espec\u00edficas em determinadas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando a lei especial for omissa em alguma fase, aplica-se subsidiariamente o rito comum ordin\u00e1rio. Isso refor\u00e7a sua posi\u00e7\u00e3o como espinha dorsal do processo penal brasileiro.<\/p>\n<h2>Quais s\u00e3o as principais fases do procedimento ordin\u00e1rio?<\/h2>\n<p>O rito ordin\u00e1rio est\u00e1 estruturado em fases bem definidas, cada uma com fun\u00e7\u00e3o processual espec\u00edfica. Conhecer essa sequ\u00eancia \u00e9 fundamental tanto para compreender o andamento do processo quanto para identificar os momentos estrat\u00e9gicos de atua\u00e7\u00e3o da defesa.<\/p>\n<p>De forma geral, o procedimento segue esta ordem:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Oferecimento da den\u00fancia ou queixa-crime<\/strong> pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico ou pelo ofendido<\/li>\n<li><strong>Recebimento ou rejei\u00e7\u00e3o<\/strong> da pe\u00e7a acusat\u00f3ria pelo juiz<\/li>\n<li><strong>Cita\u00e7\u00e3o do r\u00e9u<\/strong> para apresentar resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li><strong>Resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o<\/strong> apresentada pela defesa<\/li>\n<li><strong>Absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria<\/strong>, se cab\u00edvel, ou designa\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia<\/li>\n<li><strong>Audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento<\/strong>, com oitiva de testemunhas, interrogat\u00f3rio e alega\u00e7\u00f5es finais orais<\/li>\n<li><strong>Senten\u00e7a<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Cada uma dessas etapas tem prazos e consequ\u00eancias processuais pr\u00f3prias. Uma falha em qualquer delas pode gerar nulidade, dependendo do preju\u00edzo demonstrado. Por isso, o acompanhamento t\u00e9cnico por um <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/advogado-de-defesa-criminal-o-que-fazer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">advogado de defesa criminal<\/a> especializado desde o in\u00edcio do processo \u00e9 essencial.<\/p>\n<h3>Como funciona o oferecimento da den\u00fancia ou queixa?<\/h3>\n<p>A den\u00fancia \u00e9 a pe\u00e7a inaugural da a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica, oferecida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico ap\u00f3s o encerramento do inqu\u00e9rito policial ou com base em outras pe\u00e7as de informa\u00e7\u00e3o. Na a\u00e7\u00e3o penal privada, a pe\u00e7a equivalente \u00e9 a queixa-crime, oferecida pelo ofendido ou seu representante legal.<\/p>\n<p>Para ser recebida, a den\u00fancia precisa descrever o fato criminoso com todas as suas circunst\u00e2ncias, identificar o acusado, classificar o crime e, quando poss\u00edvel, indicar o rol de testemunhas. A pe\u00e7a deve narrar os fatos de forma clara o suficiente para que o r\u00e9u compreenda a imputa\u00e7\u00e3o e possa exercer sua defesa.<\/p>\n<p>O juiz pode receber ou rejeitar a den\u00fancia. A rejei\u00e7\u00e3o ocorre nas hip\u00f3teses do artigo 395 do CPP: quando a pe\u00e7a for manifestamente inepta, faltar pressuposto processual ou condi\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio da a\u00e7\u00e3o penal, ou quando faltar justa causa. Se recebida, o r\u00e9u \u00e9 citado para apresentar sua resposta.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/citacao-por-edital-no-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cita\u00e7\u00e3o por edital<\/a> ou <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/citacao-por-hora-certa-no-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">por hora certa<\/a> s\u00e3o modalidades admitidas quando o r\u00e9u n\u00e3o \u00e9 encontrado pessoalmente, cada uma com requisitos e consequ\u00eancias processuais distintos.<\/p>\n<h3>O que \u00e9 a resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o e qual seu prazo?<\/h3>\n<p>A resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 a primeira manifesta\u00e7\u00e3o formal da defesa ap\u00f3s o recebimento da den\u00fancia. O prazo para apresent\u00e1-la \u00e9 de <strong>dez dias<\/strong>, contados a partir da cita\u00e7\u00e3o do r\u00e9u, conforme o artigo 396 do CPP.<\/p>\n<p>Essa pe\u00e7a tem import\u00e2ncia estrat\u00e9gica relevante. Nela, a defesa pode arguir preliminares processuais, como incompet\u00eancia do ju\u00edzo, litispend\u00eancia ou falta de condi\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 o momento de apresentar as teses de m\u00e9rito, indicar testemunhas, juntar documentos e requerer dilig\u00eancias probat\u00f3rias.<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o da resposta \u00e9 obrigat\u00f3ria. Se o r\u00e9u n\u00e3o constituir advogado ou se o defensor n\u00e3o apresentar a pe\u00e7a no prazo, o juiz nomeia defensor dativo para faz\u00ea-lo, garantindo o contradit\u00f3rio e a ampla defesa. A aus\u00eancia de resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o, sem que o juiz adote essa provid\u00eancia, configura nulidade absoluta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das quest\u00f5es processuais, a resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro espa\u00e7o para demonstrar ao juiz que a acusa\u00e7\u00e3o pode ser infundada, apresentando elementos que apontem para a absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria. \u00c9 uma pe\u00e7a que, bem elaborada, pode encerrar o processo antes mesmo da instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Em quais casos cabe a absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria no artigo 397?<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s a an\u00e1lise da resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o, o juiz pode absolver sumariamente o r\u00e9u antes de designar audi\u00eancia. Essa decis\u00e3o est\u00e1 prevista no artigo 397 do CPP e representa uma filtragem processual importante: se a acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de prosperar, n\u00e3o h\u00e1 sentido em prosseguir com toda a instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As hip\u00f3teses legais de absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Exist\u00eancia manifesta de causa excludente de ilicitude<\/strong>, como leg\u00edtima defesa ou estado de necessidade<\/li>\n<li><strong>Exist\u00eancia manifesta de causa excludente de culpabilidade<\/strong>, exceto inimputabilidade<\/li>\n<li><strong>Atipicidade do fato<\/strong>, ou seja, a conduta descrita na den\u00fancia n\u00e3o constitui crime<\/li>\n<li><strong>Extin\u00e7\u00e3o da punibilidade<\/strong>, como prescri\u00e7\u00e3o, morte do agente ou anistia<\/li>\n<\/ul>\n<p>O termo &#8220;manifesta&#8221; \u00e9 central aqui. O juiz s\u00f3 absolve sumariamente quando a causa for evidente, sem necessidade de dila\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria. Se houver d\u00favida, o processo segue para a instru\u00e7\u00e3o. Por isso, a defesa precisa demonstrar a causa de forma clara e documentada j\u00e1 na resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o para aumentar as chances de obter essa decis\u00e3o favor\u00e1vel.<\/p>\n<h3>Como ocorre a audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento (AIJ)?<\/h3>\n<p>A audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento, conhecida pela sigla AIJ, \u00e9 a fase central do rito ordin\u00e1rio. \u00c9 nela que a prova oral \u00e9 produzida e onde o processo atinge seu ponto de maior densidade probat\u00f3ria. O artigo <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/artigo-400-do-codigo-de-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">400 do CPP<\/a> disciplina essa audi\u00eancia com detalhes.<\/p>\n<p>A ordem de realiza\u00e7\u00e3o dos atos na AIJ segue uma sequ\u00eancia definida:<\/p>\n<ol>\n<li>Oitiva do ofendido (quando houver)<\/li>\n<li>Oitiva das testemunhas de acusa\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Oitiva das testemunhas de defesa<\/li>\n<li>Esclarecimentos de peritos, acarea\u00e7\u00f5es e reconhecimentos, se necess\u00e1rios<\/li>\n<li>Interrogat\u00f3rio do r\u00e9u<\/li>\n<li>Alega\u00e7\u00f5es finais orais das partes (prazo de at\u00e9 vinte minutos, prorrog\u00e1vel)<\/li>\n<\/ol>\n<p>O interrogat\u00f3rio do r\u00e9u \u00e9 o \u00faltimo ato antes das alega\u00e7\u00f5es finais, o que lhe garante o direito de conhecer toda a prova produzida antes de se manifestar. Quanto ao <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/numero-de-testemunhas-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00famero de testemunhas<\/a>, cada parte pode arrolar at\u00e9 oito no rito ordin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao final da audi\u00eancia, o juiz pode proferir a senten\u00e7a em audi\u00eancia ou faz\u00ea-lo posteriormente por escrito, dentro do prazo legal.<\/p>\n<h2>Quais s\u00e3o os prazos para conclus\u00e3o do rito ordin\u00e1rio?<\/h2>\n<p>O CPP estabelece que a audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento deve ser realizada no prazo m\u00e1ximo de <strong>sessenta dias<\/strong> contados do recebimento da den\u00fancia, quando o r\u00e9u estiver preso. Para r\u00e9us soltos, n\u00e3o h\u00e1 prazo expresso, mas o princ\u00edpio da razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo imp\u00f5e limites \u00e0 morosidade.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, os prazos costumam ser significativamente maiores, especialmente nas comarcas com maior volume de processos. A complexidade do caso, o n\u00famero de r\u00e9us, a quantidade de testemunhas e a necessidade de per\u00edcias s\u00e3o fatores que influenciam diretamente o tempo de tramita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o r\u00e9u preso, o descumprimento do prazo pode fundamentar pedido de relaxamento de pris\u00e3o, especialmente quando combinado com o princ\u00edpio da proporcionalidade. J\u00e1 para o r\u00e9u solto, o excesso de prazo pode ser invocado como constrangimento ilegal em determinadas circunst\u00e2ncias, a depender da an\u00e1lise do caso concreto.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a AIJ, o juiz tem prazo de dez dias para proferir a senten\u00e7a, caso n\u00e3o a profira em audi\u00eancia. As <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/medidas-assecuratorias-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">medidas assecurat\u00f3rias<\/a> eventualmente decretadas no curso do processo tamb\u00e9m t\u00eam seus pr\u00f3prios prazos e requisitos de manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Qual a diferen\u00e7a entre os ritos ordin\u00e1rio, sum\u00e1rio e sumar\u00edssimo?<\/h2>\n<p>Os tr\u00eas ritos do procedimento comum se distinguem principalmente pelo crit\u00e9rio da pena m\u00e1xima prevista para o crime e pela simplicidade procedimental de cada um.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Rito ordin\u00e1rio:<\/strong> crimes com pena m\u00e1xima igual ou superior a quatro anos. \u00c9 o mais detalhado, com maior n\u00famero de fases e prazos mais amplos.<\/li>\n<li><strong>Rito sum\u00e1rio:<\/strong> crimes com pena m\u00e1xima inferior a quatro anos e igual ou superior a dois anos. \u00c9 mais enxuto: n\u00e3o h\u00e1 fase de absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria aut\u00f4noma com a mesma estrutura e a audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o \u00e9 mais concentrada.<\/li>\n<li><strong>Rito sumar\u00edssimo:<\/strong> infra\u00e7\u00f5es de menor potencial ofensivo, com pena m\u00e1xima de at\u00e9 dois anos, julgadas nos Juizados Especiais Criminais. Prioriza a celeridade, a oralidade e as solu\u00e7\u00f5es consensuais, como a transa\u00e7\u00e3o penal e a suspens\u00e3o condicional do processo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A escolha do rito errado pelo juiz pode gerar nulidade processual, mas somente se demonstrado preju\u00edzo concreto \u00e0 parte. No entanto, o rito utilizado interfere diretamente nas possibilidades de defesa, nos prazos dispon\u00edveis e nos recursos cab\u00edveis.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o pr\u00e1tica relevante: quando a acusa\u00e7\u00e3o imputa ao r\u00e9u fatos que configuram crimes de ritos diferentes, o rito aplic\u00e1vel ser\u00e1 o mais grave, ou seja, o ordin\u00e1rio prevalece sobre o sum\u00e1rio, e assim por diante.<\/p>\n<h2>Quais as principais nulidades no rito comum ordin\u00e1rio?<\/h2>\n<p>As nulidades processuais s\u00e3o v\u00edcios que comprometem a validade dos atos praticados no processo. No rito ordin\u00e1rio, algumas situa\u00e7\u00f5es recorrentes merecem aten\u00e7\u00e3o especial da defesa.<\/p>\n<p>As nulidades se dividem em <strong>absolutas<\/strong> e <strong>relativas<\/strong>. As absolutas independem de demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo e podem ser alegadas a qualquer tempo. As relativas precisam ser arguidas no momento oportuno e exigem prova do dano sofrido pela parte.<\/p>\n<p>Entre as nulidades mais frequentes no rito ordin\u00e1rio, destacam-se:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Falta de cita\u00e7\u00e3o v\u00e1lida<\/strong> ou cita\u00e7\u00e3o feita de forma irregular, impedindo o r\u00e9u de se defender<\/li>\n<li><strong>Aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o<\/strong> do r\u00e9u ou do defensor para atos processuais essenciais, como a AIJ. A <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/intimacao-no-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">intima\u00e7\u00e3o no processo penal<\/a> tem regras espec\u00edficas que precisam ser observadas<\/li>\n<li><strong>Falta de resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o<\/strong> sem nomea\u00e7\u00e3o de defensor dativo pelo juiz<\/li>\n<li><strong>Invers\u00e3o da ordem dos atos na AIJ<\/strong>, como interrogar o r\u00e9u antes das testemunhas<\/li>\n<li><strong>Cerceamento de defesa<\/strong> na produ\u00e7\u00e3o de provas, como o indeferimento injustificado de testemunhas ou dilig\u00eancias relevantes<\/li>\n<li><strong>Aus\u00eancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/strong> em atos dos quais sua presen\u00e7a era obrigat\u00f3ria<\/li>\n<\/ul>\n<p>A <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/excecao-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">exce\u00e7\u00e3o no processo penal<\/a> tamb\u00e9m \u00e9 um instrumento que pode ser utilizado para corrigir irregularidades formais antes que gerem preju\u00edzo irrepar\u00e1vel. O reconhecimento de nulidades depende, em regra, da argui\u00e7\u00e3o tempestiva pela defesa, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia do acompanhamento t\u00e9cnico rigoroso em todas as fases do rito ordin\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O procedimento comum ordin\u00e1rio \u00e9 o rito mais abrangente do processo penal brasileiro. Ele se aplica \u00e0s infra\u00e7\u00f5es penais com pena m\u00e1xima igual ou superior a quatro anos, sendo tamb\u00e9m o modelo base a partir do qual os demais ritos se organizam. 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