{"id":3689,"date":"2026-03-08T08:00:03","date_gmt":"2026-03-08T11:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/artigo-316-paragrafo-unico-do-codigo-de-processo-penal\/"},"modified":"2026-03-08T08:00:08","modified_gmt":"2026-03-08T11:00:08","slug":"artigo-316-paragrafo-unico-do-codigo-de-processo-penal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/artigo-316-paragrafo-unico-do-codigo-de-processo-penal\/","title":{"rendered":"Guia sobre o Artigo 316 Par\u00e1grafo \u00danico do CPP"},"content":{"rendered":"<p>\nO par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 316 do C\u00f3digo de Processo Penal estabelece que o magistrado respons\u00e1vel pela decreta\u00e7\u00e3o de uma pris\u00e3o preventiva deve revisar a necessidade de sua manuten\u00e7\u00e3o a cada 90 dias, por meio de uma decis\u00e3o fundamentada. O objetivo central dessa norma \u00e9 impedir que o encarceramento provis\u00f3rio se prolongue indefinidamente sem uma reavalia\u00e7\u00e3o constante dos motivos que o justificaram. Se esse prazo for ultrapassado sem uma nova manifesta\u00e7\u00e3o judicial, a pris\u00e3o passa a ser considerada ilegal, embora o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal indique que a soltura do r\u00e9u n\u00e3o acontece de forma autom\u00e1tica, exigindo uma provoca\u00e7\u00e3o para que o juiz regularize a situa\u00e7\u00e3o ou reavalie a medida.<\/p>\n<p>Compreender o funcionamento pr\u00e1tico do artigo 316 par\u00e1grafo \u00fanico do c\u00f3digo de processo penal \u00e9 fundamental para quem busca assegurar o respeito aos direitos fundamentais e combater o excesso de prazo no sistema carcer\u00e1rio. A aplica\u00e7\u00e3o desse dispositivo envolve nuances importantes, desde a defini\u00e7\u00e3o de qual autoridade deve realizar a revis\u00e3o at\u00e9 o comportamento da justi\u00e7a em casos de r\u00e9us foragidos. No cen\u00e1rio jur\u00eddico atual, dominar esses detalhes permite uma condu\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do processo, garantindo que a liberdade seja tratada como regra e que a pris\u00e3o cautelar permane\u00e7a apenas enquanto for estritamente necess\u00e1ria e atual sob a \u00f3tica da lei.\n<\/p>\n<h2>O que estabelece o par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 316 do CPP?<\/h2>\n<p>O par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 316 do CPP estabelece que o \u00f3rg\u00e3o emissor da decis\u00e3o de pris\u00e3o preventiva deve revisar a necessidade de sua manuten\u00e7\u00e3o a cada 90 dias. Essa norma, consolidada pela Lei 13.964\/2019, imp\u00f5e ao magistrado o dever de proferir uma <strong>decis\u00e3o fundamentada<\/strong> para manter o r\u00e9u custodiado, analisando se os motivos que ensejaram a pris\u00e3o ainda persistem.<\/p>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o legal exige que essa revis\u00e3o ocorra de of\u00edcio, ou seja, o juiz deve agir por iniciativa pr\u00f3pria, sem depender de provoca\u00e7\u00e3o da defesa ou do Minist\u00e9rio P\u00fablico. O objetivo central \u00e9 combater a cultura do encarceramento provis\u00f3rio por tempo indeterminado, garantindo que a segrega\u00e7\u00e3o cautelar seja tratada como medida excepcional e sempre atualizada conforme o andamento do processo.<\/p>\n<p>Dessa forma, o <strong>artigo 316 par\u00e1grafo \u00fanico do c\u00f3digo de processo penal<\/strong> funciona como um <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/principio-da-legalidade-no-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">filtro de legalidade<\/a>. Ele obriga o Poder Judici\u00e1rio a olhar periodicamente para o preso provis\u00f3rio e justificar, de maneira concreta, por que aquela pessoa n\u00e3o pode responder ao processo em liberdade ou sob medidas cautelares menos gravosas.<\/p>\n<h3>Qual o prazo para a revis\u00e3o obrigat\u00f3ria da pris\u00e3o preventiva?<\/h3>\n<p>O prazo para a revis\u00e3o obrigat\u00f3ria da pris\u00e3o preventiva \u00e9 de 90 dias, contados a partir da data em que a pris\u00e3o foi decretada ou da \u00faltima decis\u00e3o que reavaliou a necessidade da medida. Esse intervalo de tr\u00eas meses \u00e9 o limite temporal m\u00e1ximo que a lei permite para que uma pris\u00e3o cautelar permane\u00e7a sem uma nova an\u00e1lise t\u00e9cnica e fundamentada do juiz competente.<\/p>\n<p>Se esse per\u00edodo transcorrer sem que o magistrado se manifeste, a pris\u00e3o passa a ser considerada formalmente ilegal. Para a defesa t\u00e9cnica, a contagem precisa desses dias \u00e9 uma ferramenta estrat\u00e9gica indispens\u00e1vel, pois o desrespeito a esse cronograma gera as seguintes possibilidades de atua\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Pedido de relaxamento de pris\u00e3o devido ao <a href=\"https:\/\/www.migalhas.com.br\/depeso\/406036\/prazo-revisional-da-prisao-preventiva-violacoes-ao-art-316\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">excesso de prazo<\/a>;<\/li>\n<li>Impetra\u00e7\u00e3o de Habeas Corpus perante os Tribunais Superiores;<\/li>\n<li>Substitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o por medidas como o uso de tornozeleira eletr\u00f4nica ou recolhimento domiciliar.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que a manuten\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o deve estar amparada em fatos novos ou contempor\u00e2neos. A mera repeti\u00e7\u00e3o de argumentos antigos n\u00e3o supre a exig\u00eancia de revis\u00e3o peri\u00f3dica, tornando essencial o acompanhamento jur\u00eddico especializado para identificar falhas na fundamenta\u00e7\u00e3o judicial ou o vencimento do prazo legal.<\/p>\n<h2>A soltura \u00e9 autom\u00e1tica se a revis\u00e3o n\u00e3o ocorrer em 90 dias?<\/h2>\n<p>A soltura n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica caso a revis\u00e3o da pris\u00e3o preventiva n\u00e3o ocorra dentro do <a href=\"https:\/\/www.migalhas.com.br\/depeso\/406036\/prazo-revisional-da-prisao-preventiva-violacoes-ao-art-316\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">prazo de 90 dias<\/a>. Embora o <strong>artigo 316 par\u00e1grafo \u00fanico do c\u00f3digo de processo penal<\/strong> estabele\u00e7a que a aus\u00eancia de reavalia\u00e7\u00e3o torna a cust\u00f3dia ilegal, os tribunais superiores decidiram que o atraso gera, inicialmente, o dever de o magistrado regularizar a situa\u00e7\u00e3o imediatamente, e n\u00e3o a liberdade instant\u00e2nea do r\u00e9u.<\/p>\n<p>Essa interpreta\u00e7\u00e3o impede que falhas administrativas ou a alta demanda das varas criminais resultem na soltura de indiv\u00edduos sem uma an\u00e1lise atualizada dos riscos. Para que o relaxamento da pris\u00e3o ocorra, \u00e9 necess\u00e1rio que a defesa t\u00e9cnica aponte o excesso de prazo e demonstre que a manuten\u00e7\u00e3o da medida n\u00e3o possui mais os requisitos fundamentais exigidos pelo ordenamento jur\u00eddico.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o exaurimento do prazo sem manifesta\u00e7\u00e3o judicial abre caminho para a impetra\u00e7\u00e3o de medidas urgentes. O foco da atua\u00e7\u00e3o jur\u00eddica passa a ser o questionamento da atualidade dos fatos que justificaram o c\u00e1rcere, exigindo que o juiz fundamente se a pessoa ainda representa um risco real \u00e0 ordem p\u00fablica, \u00e0 ordem econ\u00f4mica ou \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da lei penal.<\/p>\n<h3>Qual \u00e9 o entendimento fixado pelo STF sobre este prazo?<\/h3>\n<p>O entendimento fixado pelo STF sobre este prazo define que a inobserv\u00e2ncia do per\u00edodo de 90 dias n\u00e3o implica no relaxamento imediato e compuls\u00f3rio da pris\u00e3o preventiva. O Supremo Tribunal Federal decidiu (ADIs 6581 e 6582) que o juiz respons\u00e1vel deve ser instado a se manifestar para suprir a omiss\u00e3o antes que qualquer alvar\u00e1 de soltura seja expedido por esse motivo espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Segundo a Suprema Corte, o objetivo da norma introduzida pelo Pacote Anticrime \u00e9 evitar pris\u00f5es cautelares que se alonguem indefinidamente, mas a puni\u00e7\u00e3o para o descumprimento do prazo n\u00e3o deve ser a soltura cega. O tribunal estabeleceu que, ao identificar a falta de revis\u00e3o, a autoridade deve determinar que o juiz da causa realize a an\u00e1lise fundamentada em tempo ex\u00edguo.<\/p>\n<p>Os principais pontos estabelecidos pelo STF e aplicados na rotina jur\u00eddica contempor\u00e2nea incluem:<\/p>\n<ul>\n<li>A necessidade de provoca\u00e7\u00e3o da defesa ou reconhecimento de of\u00edcio para sanar a omiss\u00e3o;<\/li>\n<li>O dever do juiz de apontar fatos novos ou contempor\u00e2neos que justifiquem a continuidade da pris\u00e3o;<\/li>\n<li>A proibi\u00e7\u00e3o de utilizar argumentos gen\u00e9ricos ou apenas repetir o conte\u00fado de decis\u00f5es proferidas meses atr\u00e1s;<\/li>\n<li>A possibilidade de manuten\u00e7\u00e3o da cust\u00f3dia caso os requisitos de periculosidade ainda se mostrem concretamente presentes.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para o cidad\u00e3o que enfrenta um processo criminal, esse posicionamento refor\u00e7a a import\u00e2ncia de um acompanhamento t\u00e9cnico constante. A atua\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica consiste em transformar a omiss\u00e3o do Estado em um argumento robusto para demonstrar que o encarceramento se tornou <a href=\"joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/principio-da-proporcionalidade-no-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desproporcional<\/a> e desnecess\u00e1rio diante do tempo transcorrido e da aus\u00eancia de fatos recentes que desabonem a conduta do r\u00e9u.<\/p>\n<h2>Como funciona a revis\u00e3o da pris\u00e3o para r\u00e9us foragidos?<\/h2>\n<p>Diferente do que ocorre com quem est\u00e1 efetivamente encarcerado, a revis\u00e3o da pris\u00e3o para r\u00e9us foragidos possui um entendimento jurisprudencial restritivo. O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), no julgamento do HC 589.544, consolidou que o <strong>artigo 316 par\u00e1grafo \u00fanico do c\u00f3digo de processo penal<\/strong> n\u00e3o se aplica a acusados que se encontram evadidos.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica jur\u00eddica \u00e9 que a obrigatoriedade de reavaliar a segrega\u00e7\u00e3o a cada 90 dias pressup\u00f5e a exist\u00eancia de uma pris\u00e3o f\u00edsica a ser mantida. Para quem est\u00e1 foragido, o mandado de pris\u00e3o permanece ativo sem a necessidade de renova\u00e7\u00e3o nonagesimal de sua fundamenta\u00e7\u00e3o, uma vez que a pr\u00f3pria fuga \u00e9 considerada um motivo contempor\u00e2neo apto a justificar a cautelar para garantir a aplica\u00e7\u00e3o da lei penal.<\/p>\n<p>Dessa forma, a autoridade judicial n\u00e3o comete ilegalidade ao deixar de revisar o decreto a cada 90 dias enquanto o r\u00e9u n\u00e3o for capturado. A estrat\u00e9gia de defesa, nesses casos, deve focar na desconstitui\u00e7\u00e3o dos fundamentos da pris\u00e3o preventiva original e na demonstra\u00e7\u00e3o de que a medida se tornou desnecess\u00e1ria por outros fatores que n\u00e3o o simples decurso do prazo revisional.<\/p>\n<h3>Existe dever de revis\u00e3o peri\u00f3dica para quem est\u00e1 evadido?<\/h3>\n<p>N\u00e3o, conforme o entendimento consolidado pelos <a href=\"https:\/\/buscadordizerodireito.com.br\/jurisprudencia\/9223\/nao-existe-o-dever-de-revisao-previsto-art-316-paragrafo-unico-do-cpp-caso-o-acusado-esteja-foragido\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tribunais superiores<\/a>, n\u00e3o existe o dever de revis\u00e3o peri\u00f3dica de 90 dias para quem est\u00e1 evadido. O STJ e o STF compreendem que a norma do Pacote Anticrime visa proteger o status libertatis de quem est\u00e1 sob cust\u00f3dia estatal direta, e n\u00e3o de quem se encontra em local incerto para evitar o cumprimento da ordem judicial.<\/p>\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o do decreto prisional em casos de evas\u00e3o baseia-se na ideia de que a situa\u00e7\u00e3o de fuga \u00e9 um evento permanente que renova a necessidade da cautelar. Os principais pontos desse entendimento jur\u00eddico incluem:<\/p>\n<ul>\n<li>A inaplicabilidade do benef\u00edcio do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 316 a r\u00e9us que n\u00e3o foram efetivamente presos;<\/li>\n<li>A validade ininterrupta do mandado de pris\u00e3o enquanto persistir a condi\u00e7\u00e3o de foragido;<\/li>\n<li>A necessidade de a defesa demonstrar fatos novos substanciais para buscar a revoga\u00e7\u00e3o do decreto.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Portanto, o r\u00e9u foragido n\u00e3o pode alegar excesso de prazo na revis\u00e3o para obter o relaxamento da pris\u00e3o. O monitoramento jur\u00eddico deve, por isso, concentrar-se na an\u00e1lise da <a href=\"joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/principio-da-proporcionalidade-no-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">proporcionalidade<\/a> da medida diante do tempo transcorrido e da eventual altera\u00e7\u00e3o na gravidade do crime ou nas provas colhidas no processo.<\/p>\n<h2>Quem \u00e9 a autoridade respons\u00e1vel por revisar a cautelar?<\/h2>\n<p>A autoridade respons\u00e1vel por revisar a cautelar \u00e9 o magistrado ou o colegiado que emitiu a decis\u00e3o original de pris\u00e3o preventiva. Segundo o <strong>artigo 316 par\u00e1grafo \u00fanico do c\u00f3digo de processo penal<\/strong>, o dever de <a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/22092020-Revisao-da-prisao-preventiva-em-90-dias-so-se-aplica-ao-juiz-ou-tribunal-que-a-determinou.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reavalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica<\/a> recai sobre o \u00f3rg\u00e3o emissor do decreto, garantindo que o juiz que conhece os detalhes do caso analise a necessidade da manuten\u00e7\u00e3o da medida.<\/p>\n<p>Essa atribui\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para o equil\u00edbrio do sistema de justi\u00e7a, pois impede que a pris\u00e3o se torne uma antecipa\u00e7\u00e3o de pena sem controle. O magistrado da causa deve, de of\u00edcio, revisar os fundamentos da segrega\u00e7\u00e3o, observando se os riscos \u00e0 ordem p\u00fablica ou \u00e0 instru\u00e7\u00e3o criminal permanecem atuais e concretos ap\u00f3s o decurso do prazo legal.<\/p>\n<h3>O papel do juiz de primeira inst\u00e2ncia na revis\u00e3o<\/h3>\n<p>O juiz de primeira inst\u00e2ncia possui o papel central na revis\u00e3o da <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/artigo-311-do-codigo-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pris\u00e3o preventiva<\/a>, visto que \u00e9 ele quem conduz a fase de instru\u00e7\u00e3o e possui maior proximidade com os fatos. Na maioria dos processos, \u00e9 este o magistrado que deve monitorar o calend\u00e1rio jur\u00eddico e proferir a decis\u00e3o fundamentada a cada 90 dias, independentemente de solicita\u00e7\u00f5es externas.<\/p>\n<p>A responsabilidade do juiz de piso permanece mesmo em situa\u00e7\u00f5es de grande volume processual. Para a defesa, essa clareza sobre a autoridade competente facilita a fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento da norma, permitindo que eventuais omiss\u00f5es sejam apontadas diretamente ao ju\u00edzo que det\u00e9m a guarda do preso e o controle direto sobre sua liberdade.<\/p>\n<h3>A revis\u00e3o da pris\u00e3o em inst\u00e2ncias superiores<\/h3>\n<p>A revis\u00e3o da pris\u00e3o em inst\u00e2ncias superiores possui limites claros definidos pelo Supremo Tribunal Federal (Plen\u00e1rio, HC 190.731). O entendimento pacificado \u00e9 que a obrigatoriedade de revis\u00e3o nonagesimal prevista no <strong>artigo 316 par\u00e1grafo \u00fanico do c\u00f3digo de processo penal<\/strong> n\u00e3o se estende aos Tribunais Superiores (STJ e STF) quando estes est\u00e3o analisando recursos de natureza extraordin\u00e1ria ou especial.<\/p>\n<p>Isso significa que o dever de revisar a cautelar n\u00e3o se desloca automaticamente para os ministros relatores em Bras\u00edlia. A responsabilidade de manter a fundamenta\u00e7\u00e3o atualizada permanece vinculada ao juiz que decretou a pris\u00e3o ou ao tribunal de segunda inst\u00e2ncia que a confirmou durante o julgamento da apela\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 vital para a estrat\u00e9gia de defesa: em vez de pleitear a soltura por excesso de prazo revisional diretamente nos tribunais superiores baseando-se no tempo de tr\u00e2mite dos recursos raros, o acompanhamento jur\u00eddico deve focar na fiscaliza\u00e7\u00e3o da in\u00e9rcia do ju\u00edzo de origem, que \u00e9 a autoridade efetivamente obrigada a zelar pela contemporaneidade da pris\u00e3o preventiva.<\/p>\n<h2>Quais os requisitos para manter a pris\u00e3o preventiva atualizada?<\/h2>\n<p>Os requisitos para manter a <a href=\"https:\/\/joaocarlospinheiro.adv.br\/criminal\/artigo-311-do-codigo-processo-penal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pris\u00e3o preventiva<\/a> atualizada envolvem a demonstra\u00e7\u00e3o de fatos novos ou contempor\u00e2neos que comprovem a persist\u00eancia do perigo gerado pelo estado de liberdade do r\u00e9u. Segundo o <strong>artigo 316 par\u00e1grafo \u00fanico do c\u00f3digo de processo penal<\/strong>, n\u00e3o basta que o juiz apenas mencione que os motivos iniciais permanecem; ele deve fundamentar a decis\u00e3o com base em elementos concretos e atuais.<\/p>\n<p>Para que a manuten\u00e7\u00e3o da cust\u00f3dia seja considerada leg\u00edtima dentro do prazo de 90 dias, o magistrado deve observar crit\u00e9rios t\u00e9cnicos espec\u00edficos, como:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Contemporaneidade:<\/strong> Os fatos que justificam a pris\u00e3o devem ser recentes e n\u00e3o baseados apenas em eventos ocorridos no in\u00edcio do processo.<\/li>\n<li><strong>Periculum Libertatis:<\/strong> A prova de que a liberdade do indiv\u00edduo ainda representa um risco real e imediato \u00e0 ordem p\u00fablica ou \u00e0 instru\u00e7\u00e3o criminal.<\/li>\n<li><strong>Insufici\u00eancia de outras medidas:<\/strong> A fundamenta\u00e7\u00e3o clara de que o uso de tornozeleira eletr\u00f4nica ou outras cautelares diversas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para o caso.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A aus\u00eancia desses requisitos em uma decis\u00e3o revisional torna a manuten\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o pass\u00edvel de questionamento jur\u00eddico. A legisla\u00e7\u00e3o moderna busca evitar o automatismo judicial, garantindo que cada ciclo de 90 dias seja uma oportunidade real de avaliar se o c\u00e1rcere ainda \u00e9 estritamente necess\u00e1rio diante da realidade processual atual.<\/p>\n<h3>Como peticionar o excesso de prazo com base no artigo 316?<\/h3>\n<p>Para peticionar o excesso de prazo com base no artigo 316, a defesa t\u00e9cnica deve apresentar um pedido de relaxamento de pris\u00e3o endere\u00e7ado ao juiz respons\u00e1vel pela causa, evidenciando que o limite legal para a <a href=\"https:\/\/www.migalhas.com.br\/depeso\/406036\/prazo-revisional-da-prisao-preventiva-violacoes-ao-art-316\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revis\u00e3o obrigat\u00f3ria<\/a> foi ultrapassado sem a devida manifesta\u00e7\u00e3o fundamentada.<\/p>\n<p>O protocolo estrat\u00e9gico para a elabora\u00e7\u00e3o dessa peti\u00e7\u00e3o geralmente segue etapas fundamentais para assegurar a efic\u00e1cia do pedido:<\/p>\n<ol>\n<li>Identifica\u00e7\u00e3o exata da data da \u00faltima decis\u00e3o que reavaliou a necessidade da pris\u00e3o preventiva.<\/li>\n<li>C\u00e1lculo preciso dos dias transcorridos para demonstrar objetivamente a mora do Poder Judici\u00e1rio.<\/li>\n<li>Argumenta\u00e7\u00e3o sobre a ilegalidade da cust\u00f3dia devido \u00e0 omiss\u00e3o do dever de revis\u00e3o de of\u00edcio previsto no par\u00e1grafo \u00fanico.<\/li>\n<li>Pedido de soltura imediata ou, subsidiariamente, a substitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o por medidas cautelares menos gravosas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Caso o ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia mantenha a in\u00e9rcia ou negue o relaxamento sem a devida fundamenta\u00e7\u00e3o atualizada, a estrat\u00e9gia jur\u00eddica avan\u00e7a para a impetra\u00e7\u00e3o de Habeas Corpus perante os Tribunais. O foco central dessa atua\u00e7\u00e3o \u00e9 garantir que o cidad\u00e3o n\u00e3o permane\u00e7a encarcerado por tempo superior ao que a lei permite sem que o Estado justifique periodicamente tal necessidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 316 do C\u00f3digo de Processo Penal estabelece que o magistrado respons\u00e1vel pela decreta\u00e7\u00e3o de uma pris\u00e3o preventiva deve revisar a necessidade de sua manuten\u00e7\u00e3o a cada 90 dias, por meio de uma decis\u00e3o fundamentada. 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